08 agosto, 2006

Série a Solução Encontrada por Stalin para o problema Sionista 29 - Yevreyskaya



Ferrovia Transiberiana: no detalhe em vermelho, a região de Yevreyskaya.

Yevreyskaya é o nome russo para uma solução encontrada por Stalin em 1928 para o fenômeno sionista na recém-formada URSS: uma província autônoma, conhecida no Brasil como Oblast Autônomo Judaico, ou república socialista soviética dos Judeus.
A presença judaica na Rússia remonta à Rússia Imperial. Muitas regiões ocidentais eram divididas em assentamentos russos e judaicos, com uma forte presença cultural iídiche. Apesar do virtual aparthied social, por causa do anti-semitismo das culturas cristãs em geral, as comunidades judaicas gozavam de certo grau de autonomia e prosperaram, não tendo a chance de juntar-se à comunidade russa mas mantendo intactas a cultura e a tradição iídiche. Por séculos, iídiches e russos conviveram mais ou menos em paz, até o início dos Pogroms.
Os pogroms tornaram-se comuns no século XIX, e consistiam em maciças deportações de camponeses iídiches, cujas terras eram ambicionadas por membros do campesinato e da nobreza russa. Logo estes pogroms se estenderam para as áreas urbanas, e o intenso movimento de pessoas rumo ao exílio de sua terra natal resultou na morte de milhares de pessoas, num dos grandes genocídios pouco comentados do século XIX. Para uma melhor visualização da presença judaica na Rússia czarista, sugerimos o filme 'O violinista no telhado'.

A política de extermínio disfarçado dos iídiches só arrefeceu com a chegada dos bolcheviques ao poder, cuja militância de origem judaica era de grande importância para a estabilidade do partido. Com a URSS, os iídiches foram reconhecidos como uma cultura autônoma, e portanto, de acordo com o estatuto dos povos não russos, teriam direito a uma entidade política autônoma, uma espécie de república ou província autônoma, que garantisse sua representação como classe no sovietes. Mas como garantir aos espalhados iídiches russos, por séculos de pogroms, um retorno às suas terras? Com a socialização dos meios de produção, não haviam mais terras particulares nas URSS. Também não era interessante desalojar os russos das terras roubadas de seus anigos donos durante os pogroms. A solução: criar uma região autônoma numa área desabitada, e mandar os judeus russos para lá. Surgia o Oblast Autônomo Judaico, em 1928. Mas a primeira questão é: porque na Sibéria, na fronteira com a China e próximo à Coréia? Como todos os projetos colonizadores, este também tinha seu propósito: garantir as posses das ricas terras ao norte do Amur, na fronteira sul da Rússia com a China. Apesar de gelada, e portanto imprestável para a agricultura, a Sibéria é rica em minérios, em especial ouro e urânio, além de madeiras. A construção da ferrovia transiberiana, ligando São Petersburgo a Vladivostok resolveu a questão de como chegar lá. Agora era necessário ocupá-las.
É claro que a iniciativa não funcionou como deveria. Os judeus ainda assentados em regiões como a Criméia e a Ucrânia não engoliram a história da Sião Marxista, e não conseguiam entender a relação entre ateísmo e judaísmo. Para estes, o propósito soviético era o mesmo dos antigos czares: tirá-los de suas terras e levá-los para lugares onde nem YHWH sabia onde ficava. Mas apesar deste revés inicial, graças ao crescente grau de autonomia dada à província, o Oblast Judaico Autônomo tornou-se o local mais democrático da URSS para se viver. Durante a Segunda Guerra Mundial, judeus emigrados das regiões ocupadas por Hitler ganharam a opção de se instalar na nova Terra Prometida, e foram viver na Sibéria. Também colaborou com a ocupação regional o plano de Stalin, em 1953, de deportar para esta região todos os judeus da URSS, como parte de seus planos de expurgos, mas que não foi completado pela sua morte neste mesmo ano.
Com o fim da URSS, a região esvaziou-se: os judeus emigraram para Israel ou para a Alemanha Federal reunificada. Hoje, menos de 1 por cento da população local define-se como iídiche.

Em destaque: a região do Oblast Judaico Autônomo



Em destaque: um bonito lugar para se passar as férias; ainda bem que é perto da praia



Em destaque: a base econômica da região só pode ser o extrativismo, por motivos óbvios

Um comentário:

Anônimo disse...

vai dizer que tu tá aprendendo russo agora???