02 novembro, 2007

Série exclaves Russos conquistados aos cavaleiros teutônicos durante a Segunda Grande Guerra 46 - Kaliningrado/Königsberg

No mapa: Kaliningrado, exclave russo


Kaliningrado é um território federal da Rússia desde o fim da Segunda Guerra. Está expremido entre Polônia e Lituania, e é o único porto russo no Mar do Norte. Assim como sua co-irmã, as Ilhas Kurillas, Kaliningrado é um despojo de guerra, uma área ocupada pela falecida URSS e que acabou integrada ao fim da guerra pelos insaciáveis russos.

A região foi parte do antigo império Alemão até o final da Primeira guerra. Com a dissolução do mesmo, parte da área foi incorporada à Polônia, permanecendo Königsberg como um território alemão. Chega a Segunda Guerra, e após a derrota militar alemã, a então URSS dizima a população local, enquanto ocupa o território com populações russas. Hoje, esta população está estimada em pouco menos de 1 milhão de habitantes, em sua maioria russos.

A posse de Kaliningrado foi facilitada até o fim da União Soviética porque a Lituânia fazia parte da mesma. Assim, a Rússia tinha acesso direto ao exclave. Com o fim soviético e a independência das repúblicas do Báltico, a região tornou-se um exclave, cercado por território estrangeiro, de cuja boa vontade dependem os russos para assegurar a posse da região.

A excentricidade de sua posição, bem no meio da União Européia faz de Kaliningrado uma ponta de lança da economia russa na Europa. Com status de província (oblast) e de região econômica especial, Kaliningrado pode tornar-se o principal porto de comunicação entre os russos e o mundo Ocidental, de quem o país depende para a venda de seu gás natural e petróleo, e de quem importa gêneros alimentícios e tecnologia.
Em destaque: Porto de Kaliningrado



Em destaque: o passado medieval germânico de Kaliningrado


Na imagem: Centro de Kaliningrado

15 julho, 2007

Série Repúblicas Autônomas Independentes de Fato mas Não Reconhecidas por suas pares 45 - Abecázia/Abkhazia


Abecázia é um dos raros casos de sucesso que não levam a lugar nenhum quando o assunto é luta armada pela independência nacional por motivações étnicas e culturais. O pequeno estado auto-proclamado independente desde a década de 90, localiza-se na costa oriental do mar Negro, junto à fronteira entre Rússia e Geórgia.
Na década de 90, seguindo o rastro da desintegração da URSS, a República Autônoma da Abecázia, parte integrante da RSS da Geórgia declarou unilateralmente sua independência. Até aí nada demais. Neste período, países hoje independentes como Ucrânia, Lituânia e mesmo a Geórgia declararam-se independentes e fora da esfera política moscovita. O que se seguiu foi ainda mais complicado. A Abecázia não era considerada uma das repúblicas formadoras da URSS, mas da Geórgia, esta sim uma das repúblicas da extinta federação. Complicado? Pois é. Junte-se a isso décadas de nacionalismo étnico sufocado pela pressão econômica e demográfica dos georgios, que vêm na pequena república um das mais importantes regiões da economia local e uma intensa campanha de limpeza étnica e russificação da região desde o governo de Stálin e pronto: uma guerra civil pronta pra acontecer.
Estranhamente os abecázios, pouco mais de 100 mil hoje, venceram a guerra contra a Geórgia. Graças a um apoio logístico russo, que manteve tropas estacionadas na região e evitou a ocupação da Geórgia de seu próprio território, pelo menos do ponto de vista da lei Internacional. A motivação: controle do litoral do mar Negro, por onde passam boa parte das exportações russas de petróleo para o Ocidente. Deu pra entender?
O fato maior é que a Rússia utilizou uma motivação legítima, a luta dos Abecázios por autonomia, para promover seus interesses econômicos na região. A guerra entre Abecázia e Geórgia gerou mais de 250 mil refugiados, em sua maioria georgios étnicos; quase 50% da população abandonou suas casas e fugiu para a Rússia e para a Geórgia. Ainda hoje, a Abecázia é um território sob tensão, e a frágil situação local é mantida por um exército de pacificadores da ... Rússia... Isso não é fantástico?


A Abecázia é hoje uma área sob intervenção estrangeira: tropas russas no país



Litoral da Abecázia, vista da Capital, Sukhumi



A influência russa e turco-otomana (norte e sul, respectivamente) na cultura local reflete-se, por exemplo, na arquitetura

08 julho, 2007

Série Países Controlados por Impérios Decadentes e que aspiram a Liberdade 44 - Bermuda



Nas imagens, mapas da ilha e do arquipélago de Bermuda, com sua localização em relação aos Estados Unidos.
Se um professor de geografia entrasse hoje em sua classe da Univille e perguntasse aos seus estudantes quantos países compõe o sub-continente norte americano, ninguém entenderia a pergunta. Se a reformulasse nos termos: quantos países existem na América do Norte, receberia respostas diversas. Um aluno poderia responder - Dois países, considerando América do Norte apenas Estados Unidos e Canadá, de cultura anglo saxônica e excluindo geograficamente o México a uma obscura e estranha América Latina. Outro diria - Três, professor, pois América Latina é uma divisão cultural e étnica, e América do Norte é apenas um conceito geográfico, portanto geograficamente o México é América do Norte. Um terceiro aluno replicaria: Quatro, pois a colônia francesa de Saint Pierre e Miquelon (este descobriu essa pérola aqui neste blog), mesmo sendo um território ultramarino, é uma entidade autônoma dentro dos limites geopolíticos da América do Norte. Outro afirmaria que, além destes quatro, existe a Groenlândia, colônia dinamarquesa na América. E finalmente um outro examinaria atentamente a geografia local e decretaria: são seis territórios, além dos citados existe Bermuda, território ultramar do Reino Unido.
A ilha de Bermuda, que dá nome ao pequeno arquipélago do mesmo nome, é uma antiga possessão britânica no atlântico Norte, junto à costa americana, a cerca de 1350 km da Nova Escócia. Desde o início da exploração colonial espanhola no século XV, Bermuda figura com diversos nomes nas cartas náuticas, mas a primeira tentativa séria de ocupação viria no século XVII com os britânicos, pouco depois das fracassadas tentativas de fixação de colonos no litoral da Virginia. A ilha era desabitada devido à sua grande distância da costa e a falta de tradição de navegação oceânica (falta de necessidade, na verdade) dos povos costeiros norte-americanos. A verdade é que o Atlântico Norte não é exatamente um mar de brigadeiro, com numerosos tufões atingindo a região todos os anos, a caminho do continente.
Bermuda foi o único território Britânico no litoral do Atlântico Norte a permanecer em mãos inglesas após a guerra de independência Norte Americana, com exceção do Canadá, independente posteriormente. Sua importância atual é estratégica e financeira. Durante a guerra fria, americanos, canadenses e britânicos mantiveram tropas estacionadas na ilha, retiradas no final dos anos 90. Desde a década de 70 movimentos de independência influenciam a política da ilha, dividida regularmente entre prós e contras a autonomia política de Bermuda.
A grande questão é se o país é viável autonomamente, como nação soberana, ou se necessita da estrutura de governo implantada no país pelos britânicos. Economicamente, Bermuda depende amplamente do turismo e dos investimentos externos nas empresas offshore, que pagam impostos irrisórios ao governo local e se instalam no país para fugir à pesada tributação de seus países de origem, como nas Ilhas Cayman. O futuro de Bermuda permanece ligado a sua capacidade ou não de gerir de forma solvente um governo nacional independente, sem a necessidade da presença inglesa no local.
No destaque: Vista de Hamilton, capital de Bermuda.



Porto de Hamilton





Na imagem, o clima subtropical favorece a atividade turistica

09 junho, 2007

Série Pet Rocks ocupadas por Potências Opressoras e Ignoradas pela Humanidade 44 - Rockall

Rockall, colônia britânica no mar do Norte.

Nossa saga através da vida e história dos países oprimidos é retomada com uma das mais fascinantes nações oprimidas ignoradas pela humanidade: Rockall, colônia subjugada do Reino Unido.
Em Rockall, desenrolou-se uma das mais fantásticas conquistas militares da história do Império Britânico. Como haviam perdido a Índia, o Oriente Médio e quase toda a África, os britânicos resolveram reviver suas glórias do passado, conquistando Rockall. No topo da ilha, os britânicos erigiram uma placa que, segundo os depoimentos recolhidos por historiadores das gaivotas e cracas sobreviventes, passou para a história como o 'Dia da Infâmia'.


"Pela Autoridade de Sua Majestade a rainha Elisabeth II, pela Graça de Deus [e pela derrota de Oliver Cromwell] rainha do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte e de seus outros reinos e territórios [Ilha de Man, Falklands, entre outros], Chefe de Estado da Commonwealth, defensora da Fé, e em acordo com as ordens de sua Majestade, na data de 14 de setembro de 1955, um desembarque [invasão!] foi efetivado neste dia pelo navio HMS Vidal nesta ilha [ilha???] de Rockall. A Union Flag [a bandeira britânica, aquela que mistura a da Inglaterra com a da Escócia] foi hasteada nesta possessão e esta ilha foi conquistada em nome de sua Real Majestade. Assinado: R H Connell, Capitão do HMS Vidal, 18 de Setembro de 1955."

Era o fim da independência e o início da era da escravidão.


Rockall é uma rocha no mar do Norte. Ponto. Não tem solo. Não tem habitantes. Fica a mais de 400 km de distância de qualquer ponto habitado da costa irlandesa. Não tem ponto de desembarque. É fustigada continuamente pelas vagas do Atlântico Norte, que desaconselham permanentemente qualquer tentativa humana de ocupação. Parece uma área esquecida pelo tempo, onde dia e noite o mar vem se empenhar na luta contra a rocha sólida, onde Netuno e Hefestos mediram forças num tempo já esquecido e cuja insígnia da vitória conquistada em favor do deus dos vulcões é este pequeno promontório árido e colonizado em pequena escala por pássaros marinhos e seus habitantes fixos, os mariscos.
A medida oficial deste pequeno país é de 520 m², ou seja, um terreno de 20 por 26, mas creio que ela foi medida em razão do volume, e não da superfície. E é alvo de uma renhida disputa diplomática e militar entre ingleses, islandeses e dinamarqueses, pela posse de tão fantástico centro econômico e estratégico.
Duvida de sua importância, réles mortal? É compreensível. O que atrai a cobiça em Rockall é exatamente o mesmo motivo que leva americanos a morrer no Iraque e no Afeganistão: reservas energéticas imprescindíveis nestes tempos de economias aquecidas e bom senso escasso. Rockall é pura e simplesmente pretexto para se extender ao redor de sua costa o limite internacional de águas da zona econômica exclusiva, o que permitiria aos colonizadores o acesso aos reservatórios de gás natural e petróleo existentes em sua plataforma continental. A guerra por Rockall esfriou quando a ONU decidiu que rochas desabitadas não tem direito a zona econômica exclusiva (que avanço) e a exploração deve ser feita conjuntamente pelos interessados.
Assim, os pobres animais filtradores de plancton de Rockall poderão viver em paz no futuro, embora muitos acreditem que esta paz não será permanente.
Em destaque: mapa de Rockall



Em destaque:o outro lado da história de Rockall

03 fevereiro, 2007

Série Países Congelados disputados por nações imperialistas sem nada melhor pra fazer 43 - Ilhas Orkney do Sul


Selo comemorativo dos 50 anos de ocupação argentina nas Orkneys, década de 50.
Mapa antártico com a localização das ilhas


Uma vista das ilhas



As ilhas Orkney são uma das muitas possessões britânicas reclamadas pela Argentina (ver Falklands e Georgia e Sandwich do Sul). Foram descobertas no século XIX por expedições britânicas na região, e em 1908 os britâncios declararam sua soberania unilateralmente sobre todos os territórios antárticos próximos às Falklands, a única colônia habitada. Assim como no caso das Falklands, os argentinos não gostaram, e desde 1904 mantinham uma estação de pesquisas na região. Com a assinatura dos tratados antárticos, na década de 50, que proibiram a exploração comercial do continente por um século, as tensões esfriaram, como o clima da região.

As ilhas que formam as Orkneys são resultado de intenso vulcanismo sobre a dorsal meso-atlântica, a mesma que formou as ilhas de Ascenção. Além do intenso vulcanismo em determinadas partes do território, são constantemente fustigadas por tempestades marítimas e castigadas pelo frio antártico.

Apenas o interesse econômico justifica a briga. Afinal de contas, como o continente antártico é inabitável por populações permanentes, a exploração econômica dos recursos naturais não é. Hidrocarbonetos (petróleo e gás), krill, pesca comercial em geral, água (isso mesmo, num futuro não muito distante, já que a água hoje já é considerada commodities). Citando a mim mesmo: "A resposta para o jugo que recai sobre os pingüins e focas locais é que o governo britânico transformou a região em reserva ecológica (econômica?), e a preservação local impõe que as ilhas tenham também o direito a um mar territorial de 200 milhas marítimas de extensão (até uma garrafa de plástico boiando, se tiver uma bandeira fincada em cima, tem direito a parcela equivalente de 200 milhas de mar territorial, desde que convença os outros países (países?) da antigüidade de ocupação e do direito a exploração de tal área de garrafa)".


Base argentina nas Orkneys, provando que os hermanos não brincam em serviço



A primeira base na região, 1904

14 janeiro, 2007

Série Paises esquecidos pela opinião pública mantendo sua cultura intacta 42 - Nuxalk

Acima: mapa do território nuxalk, oeste canadense.
A nação nuxalk é remanescente de uma das milhares de culturas ameríndias que existiam antes do período da conquista da América, e faz parte do pequeno grupo que sobreviveu e manteve unidos seus membros pela cultura e religião. Habitam tradicionalmente a região Oeste do Canadá, no litoral da Colúmbia, rico em madeiras nobres e pesca mas parcamente habitado, exceto no extremo sul, em Vancouver.
Os nuxalk hoje somam pouco mais de novecentas pessoas que ocupam o tradicional território entre as chamadas quatro aldeias ao redor de Bella Colla. Apesar de serem protegidos por leis federais, os nuxalk estão sob extrema pressão dos grupos econômicos que têm interesses nas potencialidades econômicas do pequeno território. Mas, ao contrário dos acordos com os Innuit, no norte, donos de imensas jazidas de petróleo e de uma terra desértica, os nuxalk tem interesse cultural em manter suas terras intactas.
Por conta da religiosidade, o povo nuxalk cultiva uma profunda veneração à natureza e a diversos espíritos e entidades ligados à realidade objetiva de seu meio. A destruição da floresta seria inaceitável pois seria mexer com os pilares de sua cultura; portanto, nada de acordo com madeireiras e grandes pesquieros.
A luta nuxalk é pela manutenção de sua comunidade e de seu modo de ver e se relacionar com o mundo; a mesma que todos nós temos que enfrentar em nossas culturas todos os dias.


Abaixo: reunião do(a)s patriarcas nuxalk: uma característica desta cultura é a presença comum de mulheres na chefia de clãs e famílias extensas



Abaixo: nuxalks por volta de 1890, quando eram conhecidos por Bella Collas



Arte totêmica: o totem simboliza o clã a que pertencem as famílias extensas e clãs e figuram qualidades desejáveis dos espíritos protetores que são incorporadas pelos protegidos do totem

13 dezembro, 2006

Série Países Agregados a Grandes Imperialistas com Reduzida Autonomia Nacional 41 - Buryatia



Foto de satélite do Lago Baikal, junto à fronteira Rússia-Mongólia



Vista do Lago Baikal



Buryatia é o nome dado a uma extensa região localizada entre o lago Baikal, na Rússia e a fronteira com a Mongólia. Habitada desde os primeiros séculos da atual era por povos nômades de origem mongólica, localiza-se no centro da Sibéria, cuja aspereza do clima e a necessidade da transumância permanente fizeram da região um centro irradiador da cultura nômade que se espalhou durante os séculos vindouros por toda a região que se estende entre as estepes siberianas e os Urais.
A república de Buryatia é uma entidade autônoma dentro da Federação Russa, e reconhecida como tal pelos demais países da região, com autnomia interna mas externamente dependente da Rússia. Sua população é majoritariamente russa, embora a população autóctone, ou buryat, exceda os 20% do total dos 900 mil habitantesdo lugar. A maior parte da população vive das atividades ligadas ao setor primário: exploração mineral, agricultura de subsitência e pastoreio extensivo. Por causa do rigor climático, Buryatia depende excencialmente da importação de alimentos, pagas com as divisas fornecidas pelos serviços de mineração e exportação destes produtos.
A capital e única grande cidade é Ulan Ude, às margens do Baikal, que é considerado a artéria vital da economia. Por ser uma região árida e fria, o Baikal fornece quase toda a água consumida pela população, daí a conformação d o território Buryat ao redor do mesmo.
Culturalmente, Buryatia é o centro da religião budista tibetana na Rússia, além de uma menor importância do xamanismo mongol e do cristianismo ortodoxo. A colônia budista de Ivolginsky é considerada uma das mais dinâmicas e florescentes do mundo fora da área do Tibet, e seus lamas (sacerdotes) são respeitados pela tradição de grandes eruditos entre a população local.
Historicamente, Buryatia já abrigou parte dos impérios Huno, no século III e IV e mongol nos séculos XIII em diante. Após a queda do Kanhato da Horda Dourada, no século XVI e que tinha suserania sobre as vastas regiões diberianas até os Urais e Moscou, a região foi conquistada no século XVII pelos cossacos da nascente dinastia moscovita que, ainda hoje, domina toda a região norte do continente asiático. Junto com os cossacos implantou-se o cristianismo ortodoxo e a limpeza étnica dos grupos autóctones locais, com perseguições contra a cultura budista e xamanista. Conseguiram certo grau de autonomia com a revolução que implantou a URSS, no início do século XX, mas sob Stalin a região sofreu com o processo de coletivização das terras, com a propagação da ideologia totalitária comunista e com a perseguição aos líderes religiosos tradicionais da comunidade Buryat. A migração em massa de russos para a região em busca das riquezas minerais siberianas fragmentou ainda mais a comunidade Buryat, que somente após 1995 obteve do governo russo certo grau de autonomia e valorização da cultura Buryat, com a difusão da língua e cultura tradicionais na vida da pequena república siberiana.


Templo Budista em Ivolginsky, Buryat:



Aspecto de Ulan Ude, capital de Buryatia: restos do socialismo



Interior de um templo budista em Ivolginsky



Visita do Dalai Lama a Buryatia, importante comunidade lamaísta



A montanhosa Paisagem Buryat

01 dezembro, 2006

Série Países Invadidos por potências imperialistas socialistas de mercado 40 - Uyghuristan/ Turquestão Oriental


Os uyghurs são um dos mais de 40 grupos de povos submetidos ao domínio da etnia Han, na China. Assim como os demais povos, como tibetanos e mongóis, os uyghurs foram sistematicamente conquistados e perderam sua autonomia e instituições, remanescendo como sobreviventes de uma das mais pobres províncias chinesas, na Ásia Central.
O Uyghuristan é uma região que liga todos os países do chamado Turquestão: Uzbeques, Cazaques, Turcomanos, Tadjiques, Afegãos, Paquistaneses e Quirguizes a região central chinesa. É considerado o berço da cultura turcomana, que daria origem a inúmeros estados e grupos étnicos que se espalharam entre a Criméia, Anatólia e todo o centro do continente asiático. No século X, a maior parte destes grupos adotou o islamismo como religião. O turquestão Oriental é a fronteira entre os povos de origem turcomana, muçulmanos, e os de origem Han, em sua maioria budistas.
Após séculos de lutas que mantiveram relativamente intacta sua independência, os uyghurs foram finalmente enquadrados dentro do domínio chinês em 1945. Com a proclamação da República popular, iniciou-se o genocídio sistemático dos Uyghurs. Entre 1945 e 2000, 50% da população uyghur foi morta ou exilada. A maior parte da população uyghur vive nos países vizinhos. A religião islâmica foi proibida, embora tivessem mantido a língua e os costumes. Com a revolução Cultural, qualquer manifestação de apreço aos costumes antigos e às velhas tradições foi banida da China. No Turquestão Oriental, isso significou a destruição de mesquitas, exemplares antiquíssimos do Corão, tapeçarias e o assassinato indiscriminado das pessoas que tentaram salvaguardar estes tesouros culturais.
Hoje o Turquestão oriental é representado na UNPO por uma assembléia majoritariamente composta de exilados políticos e culturais. Como tudo o que faz, a China têm imunidade para continuar mandando e desmandando nas áreas ocupadas, covardemente negligenciadas pela opinião pública mundial, mais interessada no milagre econômico chinês conseguido com mão de obra semi-escrava e um sistema de exclusão para 600 milhões de pessoas mantidas à força no campo do que pelas sistemáticas e inúmeras violações de direitos humanos dos grupos monoritários.

Em destaque: ruínas arqueológicas no Turquestão Oriental mostram a importância do comércio e dos aglomerados urbanos nesta civilização





Em destaque: mesquita no Turquestão oriental




Em destaque: estudantes islâmicos

16 novembro, 2006

Série Povos sem Pátria que preservam seus costumes ancestrais 39 - Saami/Lapônia

Mapa da Lapônia, terra dos Saamis


Os Saami ou Lapões são descendentes dos grupos étnicos que ocupam a região compreendida entre as regiões do extremo norte da Noruega, Suécia, Finlândia e parte da Rússia. As mais antigas evidências de ocupação humana deste território datam de meados de 4000 anos atrás. Pressionados pela presença dos nórdicos e vikings ao sul, os Saami permaneceram num estágio social essencialmente tribal, sendo incorporados posteriormente aos Estados que eventualmente se formaram na Escandinávia. As terras dos Saami, chamadas de Laplands ou Lapônia, foram divididas e os povos saami perderam sua autonomia para os modernos reinos ao sul.
Os saami economicamente estão plenamente integrados ao mercado local e regional, embora muitos grupos patriarcais ainda possuam um estilo de vida tradicional, aliado a alguns confortos modernos. A base econômica desta região é o extrativismo animal e vegetal, além da criação das renas, importante fonte de carne, leite, couro e trabalho. Os saami eram originalmente nômades, até o início do século XX, e as fronteiras nacionais muitas vezes impediam que acompanhassem seus rebanhos rumo a outros pontos de pastagem.
Durante o século XX, mais precisamente em 1956, os Saami iniciaram negociações com os diversos governos sob os quais estavam submetidos. No mesmo período, foi criado o Conselho Saami Nórdico, visando integrar os povos de cultura Saami sob um mesmo conselho representativo. Seu objetivo é principalmente fazer ouvir a população em relação aos seus direitos sobre as terras e os recursos naturais da mesma, além de servir como catalizador dos movimentos de autonomia para os teritórios originalmente saami.


Em destaque: Saamis



Em destaque: Laponia durante o curto verão





Em destaque: cabana Saami tradicional, feita de ossos, couro e madeira


08 novembro, 2006

Série Regiões Autônomas com características culturais oprimidas por governos estrangeiros 38 - Galiza/Galicia



Em destaque: mapa da Galícia, norte da Espanha.



A Galicia é uma das regiões autônomas da Espanha onde considera-se como válida a existência de uma comunidade ou nação com características culturais próprias. No caso dos galegos, a principal característica que os distingue dos castelhanos é seu idioma, muito próximo foneticamente do português.
Dentro do Estatuto das nacionalidades da Espanha, os galegos não são exatamente considerados como uma nação. São um grupo com autonomia, embora menor que a dos catalães e bascos, estes sim considerados como grupos nacionais.
A Galícia como região encontra-se no noroeste da Espanha, entre o Oceano Atlântico, o norte de Portugal e as Astúrias. As maiores cidades da região são La Coruña e Santiago de Compostela, com população inferior a 300 mil habitantes cada. A grande importância da Galícia historicamente foi ter sido por muitos séculos até a chamada Reconquista ( termo que é uma bobagem, já que tecnicamente os atuais espanhois são bem diferenciados dos antigos visigodos) a sede dos pequenos reinos cristãos locais, e sede do principal santuário cristão, Compostela, onde estariam os restos de Santiago, um dos apóstolos de Cristo segundo a lenda cristã.
Economicamente, a região é uma das mais pobres e atrasadas da Espanha, quando se compara com as demais, mas seu índice de desenvolvimento é bem superior a países como o Brasil. Depende basicamente da agricultura e industrias ligadas à alimentação.
Assim como as demais nacionalidades sob jugo espanhol, os galegos foram regularmente reprimidos pelos castelhanos, em especial sob a ditadura de Franco.
Agora, para finalizar, um pequeno texto em galego.
A consideración de Galicia como nación e unha procura constante dun maior grao de autogoberno que son defendidas por un número significativo de cidadáns. As tendenzas nacionalistas e mesmo non-nacionalistas en Galicia son na súa meirande parte de tipo federalista, isto é, a formación dunha federación co resto dos actuais territorios españois. Tamén existen grupos independentistas.


Em destaque: La Coruña, uma das principais cidades galegas



Em destaque: o litoral recortado da Galícia

01 novembro, 2006

Série Países Oprimidos a Milênios e apegados à sua terra natal e seus costumes 37 - País Basco/Euskal Herria



Acima: a bandeira basca e abaixo, uma das muitas montanhas dos Pireneus, na divisa entre espanhóis, franceses e bascos.



O país Basco é provavelmente o mais famoso entre todos os países oprimidos que ninguém conhece. Na minha preferência, só perde para as Falkland. Etnicamente coesos a milênios, os bascos nunca chegaram a tornar-se uma entidade estatal eficiente e estável, e acabaram divididos já no século XVI entre os reinos da Espanha e França.
Existem muitas controvérsias a respeito da origem dos bascos. Sua língua não têm congênere em todo o mundo, e provavelmente permaneceu inalterada por séculos. Não se encaixam nas migrações modernas, e algumas teorias colocam os bascos como remanescentes dos primeiros colonizadores indo-europeus. Isolados em suas montanhas e pelo golfo quase intransponível para as antigas embarcações, a civilização basca desenvolveu-se com bases econômicas diversificadas, como mineração e pecuária.
Após a conquista romana da Ibéria, as populações culturalmente celtas (o mais antigo povo indo-europeu de então) lentamente foi sendo assimilada ou expulsa de suas terras. Os bascos permaneceram virtualmente livres. Atravessaram a fragmentada Idade Média como parte de pequenos condados e marcas locais. Durante o nascimento das monarquias nacionais na Ibéria, os bascos permaneceram coesos etnica e culturalmente, prestando vassalagem ao reino de Navarra.
Com a unificação da Espanha, lentamente perderam sua autonomia e, no período pós revolução Francesa, os bascos foram integrados à força aos reinos absolutistas. Durante o período da ditadura de Franco, os grupos nacionais que compunham a Espanha, como galegos, catalães e bascos, foram duramente reprimidos, visando a uma nacionalização sob a cultura castelhana. Apenas com a morte de Franco, aos poucos as proibições concernentes à cultura basca foram cedendo.
Durante o período de repressão, em meados dos anos 60, surgiram os grupos separatistas que, por meio de violentas ações contra figuras chave do governo central e da população civil, buscavam chamar a atenção para o problema basco. A luta recrudesceu apenas em 2006, com o cessar fogo definitivo entre as forças do ETA, o principal grupo de oposição, e o governo espanhol.
O que procuram os bascos hoje? Principalmente autonomia política (alguns mesmo a independência total) e valorização da cultura local. A autonomia política atualmente está num meio termo entre a auto-determinação e a presença de unidades de auto-governo, similar a das ilhas Aaland. Já a cultura basca florece novamente com a instituição de um governo autônomo local, da promoção da língua e da cultura basca, através da educação.

Em destaque: Mapa do País Basco, entre Espanha e França



Em destaque: os vales entre montanhas são uma característica topográfica do País Basco



Em destaque: Bilbao, o maior centro urbano basco