Em mais uma demonstração de que seu programa de limpeza étnica ainda não terminou, os chineses massacraram de maneira impiedosa os protestos da minoria uyghur que habita a província invadida do Turquestão Oriental, a oeste do país. Segundo as fontes oficiais, o protesto da população, de maioria muçulmana e de etnia turco-mongólica, é a morte de dois uighures numa fábrica no sul da China. Mas qualquer um bem informado sabe que a causa atribuída ao movimento foi apenas seu estopim, uma vez que a república chinesa reprime a décadas, de forma violenta, qualquer manifestação cultural que separe os uighures de uma pretensa unidade nacional. Ser muçulmano e seguir os preceitos de sua religião é uma destas manifestações 'rebeldes', e o normal segundo os chineses é ser um bem comportado 'han'. Como em todos os conflitos envolvendo minorias nacionais, a estupidez e a falta de diálogo transformam-se em tragédias, entre os quais os 140 mortos sem nome que a política repressiva chinesa transformará em estatística. Mais informações sobre a região, consulte no link Uyghuristan.
06 julho, 2009
27 março, 2009
Série Países que nunca tive coragem de abordar neste espaço 53 - Palestina
A Palestina é sem dúvida um dos mais antigos países sob ocupação estrageira atualmente. Seu povo é cativo político e militar nos últimos 5 mil anos de outras potências estrangeiras. Já foi território egípcio, babilônico, hitita, assírio, grego (helênico), romano, árabe, cruzado, otomano e britânico, entre os principais. Salvo raros momentos, nunca tiveram o controle sobre suas vidas, e lutaram sempre para expulsar os usurpadores de seu território.Os palestinos atualmente são culturalmente muito próximos dos árabes muçulmanos e demais países muçulmanos da região, cujas fronteiras artificiais não escondem a profunda ligação cultural entre eles. A Palestina propriamente dita compreende toda a região ao sul do Líbano até o Egito, entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Foi inventada pelo imperador romano Adriano, que no século I expulsou a maior parte dos rebeldes judeus da região após uma guerra que durou anos.
Na década de 1890, iniciou-se a invasão da região por parte dos europeus de origem judaica, especialmente dos territórios do Império Russo, da Áustria-Hungria e da Prússia. O movimento de pessoas em direção ao território e seus métodos de violência expulsaram milhares de famílias palestinas, num autêntico pogrom. Interessante notar que os massacres perpretados pelos europeus de religião judaica contra os palestinos não diferem muito daqueles que eles róprios sofriam durante sua permanência na Europa cristã.
O que cumpre notar é que no final da década de 40 a ONU validou a invasão européia da região e declarou a intenção de criar na região dois estados, um árabe, a Palestina, e outro judaico, Israel. Claro que não podia dar certo. Os palestinos guerreavam contra os judeus a décadas, e sabiam que tal aval significaria apoio de diversos países ao estado judaico, já que teriam que defender a resolução da ONU... A criação unilateral do estado de Israel deu o apoio logistico e militar necessário aos recém-chegados invasores para manterem-se em suas posições. Quando o estado de Israel se sentiu fortalecido, iniciou uma lenta mas imperiosa expansão, que visa tão somente ocupar áreas antes habitadas pelos palestinos. Lembra muito a conquista do Oeste americano, a partir de 1850; as mesmas justificativas: somos o povo escolhido, eles são pagãos, estamos levando a civilização ao lugar. É provável que o final seja o mesmo. Só gostaria de saber se, quando Israel tiver tomado toda a Palestina, vai se contentar com isso ou vai continuar avançando...
Enquanto isso, o maior número de refugiados da história da humanidade vive suas vidas num território sem estado, sem amparo das leis, sem garantias políticas, sem direito a propriedade ou a serviços básicos. O motivo é o de sempre: o irrefreável racismo e falta de caráter da humanidade, que cinicamente já engoliu crimes maiores, embora não menos importantes do que ocorre contra o povo palestino.
No detalhe: a fronteira 'movel' da Palestina, muito similar a existente entre Estados Unidos e México

09 setembro, 2008
Série Rochedos Inexpugnáveis enclavados entre a Espanha e o Mediterrâneo 52 - Gibraltar
No mapa, acima Gibraltar, território Britânico. Ao sul, já na África, aparece Ceuta, praça forte espanhola

Gibraltar, ou como chamam os ingleses, The Rock, é uma das pet rocks (pedras de estimação, igual aquela da propaganda de celular, lembra?) disputadas pela Espanha. A outra é Perejil e as possessões africanas, como Ceuta e Mellila. Um dos territórios remanescentes do antigo Império Britânico, Gibraltar é uma cidade movimentada, sede de um movimentado porto e base militar britânica. Além de sua evidente posição estratégica como entreposto de abstecimento para os navios que deixam o Mediterrâneo em direção aos outros continentes, Gibraltar foi muito utilizada durante a segunda Guerra Mundial como base militar, e permaneceu em mãos inglesas, assim como Akrotiri e Dekhelia, no Chipre.
A história do rochedo só passa a ser interessante no momento em que a região, sucessivamente dominada pelo califado de Córdoba e pelo reino da Espanha passou das mãos deste último para os britânicos, de forma perpétua, como resultado de tratados ao fim da guerra de sucessão espanhola. A cessão do trecho de terra terminou com uma longa série de guerras e permitiu aos ingleses controlar a entrada e saída do Mediterrâneo por meio de sua nova colônia.
Atualmente, Gibraltar é sede de bancos e empresas off-shore, que não pagam impostos em seus países de atuação por terem sede no pequeno paraíso fiscal, rota obrigatória do tráfico internacional de drogas e de armas e sede de um dos mais refinados sistemas de lavagem de dinheiro do mundo. Enfim, uma típica colônia britânica, como as Ilhas Cayman, no caribe. A população, como era de se esperar, não tem interesse em pagar impostos ou obedecer a leis, se pertencer ao Reino da Espanha, apesar das reiteradas propostas de soberania deste último sobre o território. Talvez quando os espanhóis devolverem Olivença a Portugal e as suas cidades-fortaleza aos marroquinos, os ingleses resolvam restituir o território.
Em destaque, The Rock, vista pelo lado espanhol

Em destaque, o movimentado Porto de Gibraltar


Gibraltar, ou como chamam os ingleses, The Rock, é uma das pet rocks (pedras de estimação, igual aquela da propaganda de celular, lembra?) disputadas pela Espanha. A outra é Perejil e as possessões africanas, como Ceuta e Mellila. Um dos territórios remanescentes do antigo Império Britânico, Gibraltar é uma cidade movimentada, sede de um movimentado porto e base militar britânica. Além de sua evidente posição estratégica como entreposto de abstecimento para os navios que deixam o Mediterrâneo em direção aos outros continentes, Gibraltar foi muito utilizada durante a segunda Guerra Mundial como base militar, e permaneceu em mãos inglesas, assim como Akrotiri e Dekhelia, no Chipre.
A história do rochedo só passa a ser interessante no momento em que a região, sucessivamente dominada pelo califado de Córdoba e pelo reino da Espanha passou das mãos deste último para os britânicos, de forma perpétua, como resultado de tratados ao fim da guerra de sucessão espanhola. A cessão do trecho de terra terminou com uma longa série de guerras e permitiu aos ingleses controlar a entrada e saída do Mediterrâneo por meio de sua nova colônia.
Atualmente, Gibraltar é sede de bancos e empresas off-shore, que não pagam impostos em seus países de atuação por terem sede no pequeno paraíso fiscal, rota obrigatória do tráfico internacional de drogas e de armas e sede de um dos mais refinados sistemas de lavagem de dinheiro do mundo. Enfim, uma típica colônia britânica, como as Ilhas Cayman, no caribe. A população, como era de se esperar, não tem interesse em pagar impostos ou obedecer a leis, se pertencer ao Reino da Espanha, apesar das reiteradas propostas de soberania deste último sobre o território. Talvez quando os espanhóis devolverem Olivença a Portugal e as suas cidades-fortaleza aos marroquinos, os ingleses resolvam restituir o território.
Em destaque, The Rock, vista pelo lado espanhol

Em destaque, o movimentado Porto de Gibraltar
27 agosto, 2008
O que é independência?
Recentemente, as regiões antes conhecidas como partes da Geórgia, da Abecázia e da Ossétia do Sul, foram oficialmente reconhecidas pela Federação Russa como países independentes. O que se viu na televisão foram os festejos das populações das duas repúblicas, enquanto os georgianos protestavam contra a decisão unilateral russa, que retalhou 'legalmente' o já dividido país. No campo diplomático mundial, a decisão russa foi condenada, especialmente pelo G8. Até aí, nada demais, afinal vimos a mesma reação, mas com os sinais de apoio e condenação contrários, quando a União Européia e os Estados Unidos declararam o Kosovo independente, enquanto os russos protestavam.
O que quero discutir aqui não é o mérito dessa independência duvidosa, nem as pretensões destas regiões de se tornarem países autônomos. Na minha opinião pessoal, isso só vai aumentar o número de países europeus que disputam as eliminatórias da copa do mundo pela Uefa. E só. Na prática, nenhum dos dois pequenos países recém independentes vai conseguir manter sua situação sem o consentimento russo. Deixaram de se subordinar a Tbilisi e passaram a se subordinar a Moscou. Economicamente, são países pequenos e inviáveis. Por esse motivo, Bermuda ou Aruba ainda não se declararam independentes de seus respectivos governos europeus.
Mas o que faz um país independente? O que pode servir de pretexto para almejar esta independência política? Seriam as fronteiras ditas culturais ou étnicas? Neste caso, países como Brasil, Estados Unidos ou mesmo a China teriam de ser divididos em conformidade com o direito dos seus muitos grupos étnicos. São países multiculturais, que não possuem homogeineidade de suas populações. Mas mesmo assim conseguem manter seu status de nação independente.
Talvez devessemos apelar para a história, para os precedentes históricos destes povos. Mas a história nos mostra que, se existe algo que não muda, são as mudanças de fronteira e lealdade. A Europa, por exemplo, já foi parte dela território Romano, Huno, Mongol, Carolíngio, Napoleônico, entre muitos outros. Sobre este pretexto, os papas tentaram, com relativo sucesso, governar ou controlar a maior parte do continente, algo impensável nos dias atuais.
A existência de autonomia regional não faz de um país uma entidade independente. Ilhas Färoe e Groenlândia são territórios autônomos, tem sua própria legislação, seu próprio governo, sua identidade cultural, mas não são independentes.
Na verdade, o que faz hoje em dia um país independente são duas coisas: a força das armas e a vontade dos outros países independentes. No primeiro caso, temos a Eritréia, que por mutios anos fez parte da Etiópia. Ganhou a guerra contra seu antigo governo e virou um país independente pelas armas. Nenhum governo negou reconhecimento a este país e, para não complicar ainda mais as coisas, enviou tropas de paz para a região, afim de evitar novas guerras. No segundo caso, entram Kosovo, Abecázia e Ossétia do Sul. Um, aceito pela comunidade Européia e pelos Estados Unidos, mas não pela ONU. Os dois últimos, referendados pela Rússia, e repudiados pelos demais. Exércitos fazem países independentes.
Num mundo como este, é quase impossível pensar em termos de independência pelas vias legais ou do direito internacional. Ou alguém acha que a Rússia vai abrir mão da Ossétia do Norte, para que ela possa se unificar com a sua parte sul?
O que quero discutir aqui não é o mérito dessa independência duvidosa, nem as pretensões destas regiões de se tornarem países autônomos. Na minha opinião pessoal, isso só vai aumentar o número de países europeus que disputam as eliminatórias da copa do mundo pela Uefa. E só. Na prática, nenhum dos dois pequenos países recém independentes vai conseguir manter sua situação sem o consentimento russo. Deixaram de se subordinar a Tbilisi e passaram a se subordinar a Moscou. Economicamente, são países pequenos e inviáveis. Por esse motivo, Bermuda ou Aruba ainda não se declararam independentes de seus respectivos governos europeus.
Mas o que faz um país independente? O que pode servir de pretexto para almejar esta independência política? Seriam as fronteiras ditas culturais ou étnicas? Neste caso, países como Brasil, Estados Unidos ou mesmo a China teriam de ser divididos em conformidade com o direito dos seus muitos grupos étnicos. São países multiculturais, que não possuem homogeineidade de suas populações. Mas mesmo assim conseguem manter seu status de nação independente.
Talvez devessemos apelar para a história, para os precedentes históricos destes povos. Mas a história nos mostra que, se existe algo que não muda, são as mudanças de fronteira e lealdade. A Europa, por exemplo, já foi parte dela território Romano, Huno, Mongol, Carolíngio, Napoleônico, entre muitos outros. Sobre este pretexto, os papas tentaram, com relativo sucesso, governar ou controlar a maior parte do continente, algo impensável nos dias atuais.
A existência de autonomia regional não faz de um país uma entidade independente. Ilhas Färoe e Groenlândia são territórios autônomos, tem sua própria legislação, seu próprio governo, sua identidade cultural, mas não são independentes.
Na verdade, o que faz hoje em dia um país independente são duas coisas: a força das armas e a vontade dos outros países independentes. No primeiro caso, temos a Eritréia, que por mutios anos fez parte da Etiópia. Ganhou a guerra contra seu antigo governo e virou um país independente pelas armas. Nenhum governo negou reconhecimento a este país e, para não complicar ainda mais as coisas, enviou tropas de paz para a região, afim de evitar novas guerras. No segundo caso, entram Kosovo, Abecázia e Ossétia do Sul. Um, aceito pela comunidade Européia e pelos Estados Unidos, mas não pela ONU. Os dois últimos, referendados pela Rússia, e repudiados pelos demais. Exércitos fazem países independentes.
Num mundo como este, é quase impossível pensar em termos de independência pelas vias legais ou do direito internacional. Ou alguém acha que a Rússia vai abrir mão da Ossétia do Norte, para que ela possa se unificar com a sua parte sul?
13 agosto, 2008
Série Territórios Culturalmente Distintos Agregados a Países Influentes 51 - Nagalim
Mapa de Nagaland, estado indiano, que juntamente com pequenos trechos de Myanmar, forma o território Nagalim

No destaque: cerimônia cultural naga, que poderíamos definir como sino-tibetanos de religião cristã em um estado Hindu!

No destaque: a montanhosa paisagem do território nagalim

Nagalim é como se chama a região compreendida entre Índia e Myanmar e que é habitada pela etnia naga, uma das mais numerosas etnias do estado Indiano. A região sempre foi palco de disputas entre os grandes impérios históricos da região, como a China, a Índia e o Camboja, e sofreu ao longo do tempo com diversas migrações e guerras em sua história.
A etnia Naga, que dá seu nome ao território Nagalim, emigrou da Mongólia no século X e estabeleceu-se nas montanhosas regiões do hoje território nordeste indiano. Por sua própria característica cultural, os nagalins são culturalmente mais próximos dos tibetanos, mongóis e chineses do que dos indianos. Estão na zona de transição entre as culturas indiana e chinesa, bem na borda da península que conhecemos como Indochina. É quase natural que os nagas tenham sofrido com os interesses de seus muitos vizinhos, geralmente mais numerosos e mais fortes militarmente.
Interessante é o fato de que, ao contrário dos indianos, que se dividem em uma maioria hinduísta e algumas minorias budistas e muçulmanas, os nagas seguem o cristianismo, um fato bastante inusitado em uma região historicamente adversa a esta religião. O cristianismo existe como minoria em todo o mundo, e maioria no Ocidente, mas nesta região específica é seguido por 95% do três milhões de nagas.
A região nagalim é extremamente montanhosa e sua exploração econômica baseia-se em uma cultura intensiva do arroz nas encostas (terraços) e na mineração de alguns recursos locais, como urânio e cobre, por empresas indianas e consórcios estrangeiros. O governo indiano reconhece os nagalins como um Estado da União Indiana (Nagaland) e não cria empecilhos para o seu reconhecimento como uma cultura distinta e autônoma, mas não tenciona aumentar a autonomia local e nem mesmo renunciar a soberania do território em favor de uma independência naga. Os nagas dividem-se quanto ao tema independência, mas são unânimes em defender mecanismos de preservação de sua cultura e identidade frente à massificação estatal indiana.
A etnia Naga, que dá seu nome ao território Nagalim, emigrou da Mongólia no século X e estabeleceu-se nas montanhosas regiões do hoje território nordeste indiano. Por sua própria característica cultural, os nagalins são culturalmente mais próximos dos tibetanos, mongóis e chineses do que dos indianos. Estão na zona de transição entre as culturas indiana e chinesa, bem na borda da península que conhecemos como Indochina. É quase natural que os nagas tenham sofrido com os interesses de seus muitos vizinhos, geralmente mais numerosos e mais fortes militarmente.
Interessante é o fato de que, ao contrário dos indianos, que se dividem em uma maioria hinduísta e algumas minorias budistas e muçulmanas, os nagas seguem o cristianismo, um fato bastante inusitado em uma região historicamente adversa a esta religião. O cristianismo existe como minoria em todo o mundo, e maioria no Ocidente, mas nesta região específica é seguido por 95% do três milhões de nagas.
A região nagalim é extremamente montanhosa e sua exploração econômica baseia-se em uma cultura intensiva do arroz nas encostas (terraços) e na mineração de alguns recursos locais, como urânio e cobre, por empresas indianas e consórcios estrangeiros. O governo indiano reconhece os nagalins como um Estado da União Indiana (Nagaland) e não cria empecilhos para o seu reconhecimento como uma cultura distinta e autônoma, mas não tenciona aumentar a autonomia local e nem mesmo renunciar a soberania do território em favor de uma independência naga. Os nagas dividem-se quanto ao tema independência, mas são unânimes em defender mecanismos de preservação de sua cultura e identidade frente à massificação estatal indiana.
No destaque: cerimônia cultural naga, que poderíamos definir como sino-tibetanos de religião cristã em um estado Hindu!

No destaque: a montanhosa paisagem do território nagalim
12 agosto, 2008
Série Repúblicas Presas a Países Imperialistas por Oleodutos que Atravessam seu Território 50 - Tchetchênia
Mapa da região em conflito: Tchetchênia (vermelho), Abecázia, Ossétia do Sul (em verde escuro) e Geórgia (verde claro). Ao leste, o Mar Cáspio, grande produtor de petróleo e a Oeste o Mar Negro, porto de exportação para a Europa.

A Tchetchênia é nosso orgulhoso país oprimido de número 50, e por si só já teria menção honrosa. Mas o que o traz ao nosso estudo hoje é sua posição como um conflito latente, e amplamente relacionado ao atual conflito Russo-georgiano pela posse da Ossétia do Sul e da Abecázia.
No detalhe, a causa da Guerra na Geórgia, Abecázia, Ossétia do Sul e Tchechenia: mapa dos oleodutos do Mar Cáspio ao Mar Negro

No detalhe: Grozny, capital tchechena, após bombardeios russos

No detalhe: população tchechena, culturalmente islâmica e etnicamente eslava.


A Tchetchênia é nosso orgulhoso país oprimido de número 50, e por si só já teria menção honrosa. Mas o que o traz ao nosso estudo hoje é sua posição como um conflito latente, e amplamente relacionado ao atual conflito Russo-georgiano pela posse da Ossétia do Sul e da Abecázia.
Para quem não sabe ou não leu os jornais ultimamente, a Rússia andou invadindo a Geórgia, sob o 'humanitário' pretexto de proteger seus cidadãos que vivem nas duas regiões separatistas locais, Abecázia e Ossétia do Sul. Tudo besteira. O que a Rússia quer é manter o controle dos oleodutos que atravessam a região e ligam o mar Cáspio (região produtora de petróleo) e o Mar Negro (onde ele é embarcado rumo ao mercado europeu. Toda a matança é para manter o controle da máfia governamental russa sobre o petróleo e permitir que notórios assassinos genocidas como Putin, Abramovich e Beresovsky tenham muito lucro com suas empresas petrolíferas. Mas e daí, qual a novidade? No Iraque não vimos a mesma coisa com Bush, Cheyne e a Halliburton? Quem pode, faz.
Mas o que essa enrolação econômica têm a ver com a Tchetchênia? Simples. A Tchetchênia faz divisa com a Ossétia e é o principal ponto de passagem dos oleodutos. O problema começa com a população tchetchena, que não aceita ser controlada por Moscou, por motivos culturais. Enquanto a maior parte da população russa é cristã ortodoxa, na Tchetchênia o credo predominante é o Islã. A coesão cultural dos tchechenos depende desta sua ligação com o islamismo, e sua rejeição ao estado Russo. No mais, seriam considerados em outros países russos que falam um dialeto próprio e são muçulmanos. Mas, por revestir-se da nova polítca americana de Cristãos contra Muçulmanos, desencadeada pelos EUA após o 11/9, a independência tchechena conta com o apoio dos países islâmicos e é vista com desconfiança pelo mundo Ocidaental.
A briga em si reveste-se de caráter cultural, mas o que vale mesmo é o controle econômico. Em dias de petróleo a 150 dólares o barril, não é o controle sobre o minúsculo território tchecheno que atrai os gastos militares russos, mas sim a manutenção do controle sobre o precioso combustível.
Mas o que essa enrolação econômica têm a ver com a Tchetchênia? Simples. A Tchetchênia faz divisa com a Ossétia e é o principal ponto de passagem dos oleodutos. O problema começa com a população tchetchena, que não aceita ser controlada por Moscou, por motivos culturais. Enquanto a maior parte da população russa é cristã ortodoxa, na Tchetchênia o credo predominante é o Islã. A coesão cultural dos tchechenos depende desta sua ligação com o islamismo, e sua rejeição ao estado Russo. No mais, seriam considerados em outros países russos que falam um dialeto próprio e são muçulmanos. Mas, por revestir-se da nova polítca americana de Cristãos contra Muçulmanos, desencadeada pelos EUA após o 11/9, a independência tchechena conta com o apoio dos países islâmicos e é vista com desconfiança pelo mundo Ocidaental.
A briga em si reveste-se de caráter cultural, mas o que vale mesmo é o controle econômico. Em dias de petróleo a 150 dólares o barril, não é o controle sobre o minúsculo território tchecheno que atrai os gastos militares russos, mas sim a manutenção do controle sobre o precioso combustível.
No detalhe, a causa da Guerra na Geórgia, Abecázia, Ossétia do Sul e Tchechenia: mapa dos oleodutos do Mar Cáspio ao Mar Negro

No detalhe: Grozny, capital tchechena, após bombardeios russos

No detalhe: população tchechena, culturalmente islâmica e etnicamente eslava.

08 agosto, 2008
Série Novas Nações Quase Livres (se é que isso existe) em Lugares Beneficiados pelo Aquecimento Global 49 - Groenlândia
Aspecto da Groenlândia: colonização européia, mas fortes componentes culturais Innuit

A Groenlândia é o sexto território componente da América do Norte. Para muitos, é um território perdido e desabitado, como a Antártica. Alguns a colocam como parte integrante da Europa, já que é eqüidistante entre a Islândia (Europa) e o Canadá (América). Culturalmente, o povo groenlandês tem raízes dos antigos ancestrais dos Innuit e dos nórdicos vikings, que colonizariam Dinamarca,Suécia, Noruega, Islândia e Ilhas Aaland e Faröe. Além destes países, existem indícios de colonização nórdica na Terra Nova, Canadá, mas de curta duração e sem deixar impressões culturais importantes nas populações nativas.
No detalhe, a Groenlândia (área branca), entre a Europa e a América. Observe que mais de 99% do território é escondido pelo gelo

No detalhe, o permafrost, a água que congela no solo e subsolo groenlândes e inutiliza as terras para a agricultura

O nome Groenlândia é hoje motivo de preocupação entre os cientistas devido à imensa calota polar que cobre o imenso território da ilha (2 milhões e 166 mil km²). Segundo alguns estudos, o derretimento acelerado de suas geleiras levaria ao aumento sistemático do nível do mar, derretimento este detectado nos últimos 50 anos de observações.
O que por um lado é uma catástrofe para os demais países pode ser a chave para o florecimento da região. Ao contrário da Islândia, que é aquecida pela Corrente do Golfo e pelo vulcanismo e possui milhares de hectares de terras cultiváveis, a terra Groenlandesa está aprisionada pelo permafrost, a camada de gelo permanente que cobre o solo da ilha. Aumente a temperatura e pronto, novas terras agricultáveis para os locais.
A Groenlândia é politicamente dependente da Dinamarca, embora como sua congênere Faröe, tenha alto grau de autonomia político-administraiva. A Groenlândia tem parlamento próprio (igual ao Canadá), primeiro ministro (igual ao Canadá) e só algumas características jurídicas fazem dela um território dependente, mesmo que de facto seja autônomo.
A população atual da Groenlândia é composta por antigos colonizadores Innuit (que vieram do Canadá) e perfazem a maioria da população e descendentes de dinamarqueses. A posição geopolítica privilegiada da Groenlândia entre Estados Unidos e Canadá e a Europa, além de ser passagem obrigatória para futuras rotas comerciais através do Ártico pela Passagem Noroeste podem fazer deste território 'quase livre' um dos novos países independentes deste século, e o primeiro estado-nação Innuit.
O que por um lado é uma catástrofe para os demais países pode ser a chave para o florecimento da região. Ao contrário da Islândia, que é aquecida pela Corrente do Golfo e pelo vulcanismo e possui milhares de hectares de terras cultiváveis, a terra Groenlandesa está aprisionada pelo permafrost, a camada de gelo permanente que cobre o solo da ilha. Aumente a temperatura e pronto, novas terras agricultáveis para os locais.
A Groenlândia é politicamente dependente da Dinamarca, embora como sua congênere Faröe, tenha alto grau de autonomia político-administraiva. A Groenlândia tem parlamento próprio (igual ao Canadá), primeiro ministro (igual ao Canadá) e só algumas características jurídicas fazem dela um território dependente, mesmo que de facto seja autônomo.
A população atual da Groenlândia é composta por antigos colonizadores Innuit (que vieram do Canadá) e perfazem a maioria da população e descendentes de dinamarqueses. A posição geopolítica privilegiada da Groenlândia entre Estados Unidos e Canadá e a Europa, além de ser passagem obrigatória para futuras rotas comerciais através do Ártico pela Passagem Noroeste podem fazer deste território 'quase livre' um dos novos países independentes deste século, e o primeiro estado-nação Innuit.
No detalhe, a Groenlândia (área branca), entre a Europa e a América. Observe que mais de 99% do território é escondido pelo gelo

No detalhe, o permafrost, a água que congela no solo e subsolo groenlândes e inutiliza as terras para a agricultura
16 dezembro, 2007
Série Imperialistas Han invadindo teocracias dependentes do Ocidente Decadente 48 - Tibet
Mapa do Tibet, província ocupada pela China

No destaque, a paisagem tibetana, cercada pelas geleiras eternas, fonte de cobiça para a China:

No destaque: Lhassa, capital espiritual do Tibet

O Tibet é o mais pop entre os não-países do mundo livre de hoje. Popularidade conquistada graças ao carisma de seu líder teocrático, o Dalai Lama, ao mesmo tempo chefe de Estado e líder espiritual dos budistas tibetanos.
A campanha do Dalai Lama pela libertação do Tibet coincide com a triste história de conflitos que a região passou ao longo da segunda metade do século XX. O conflito poderia ter sido resolvido ainda na década de 50, durante a primeira invasão chinesa ao país, mas a ONU estava ocupada matando coreanos na Guerra da Coréia e não deu muita importância àquele enclave autônomo invadido pela recém nascida República Popular. Em seguida, os chineses tornaram-se uma potência nuclear com o auxílio soviético e nunca mais se tocou no assunto Tibet.
A única importância conhecida da inóspita região para os chineses é estratégica: no Tibet, estão dois terços de todas as fontes de água que abastecem o imenso país. Sem o controle sobre o Tibet, a China perderia o controle destas fontes e estaria à mercê de chantagens políticas e econômicas. Assim como no caso de Siachen, o motivo é controlar um commoditie que pode ter muito valor em um futuro não muito distante, e que já começa a ficar escasso no país.
A luta tibetana está baseada na preservação dos costumes e tradições étnicas dos tibetanos. Hoje, a região é majoritariamente habitada pelos Han chineses, e os tibetanos são um dos maiores grupos de refugiados da região, atrás no mundo de hoje apenas dos palestinos. O que mantém a coesão cultural tibetana é o apego aos costumes ancestrais e à religião budista, ou lamaísmo, já que seu líder é considerado um Lama (grande monge).
Não existe solução imediata para o problema do Tibet. Independência é algo fora de cogitação para os chineses, e uma campanha internacional não é suficiente para demover o governo de Beijing de posições assumidas historicamente. O poderio ditatorial da dinastia Han está fadado a persistir ainda por muito tempo, tempo este que parece faltar aos desejos da população tibetna atualmente.
No destaque, a paisagem tibetana, cercada pelas geleiras eternas, fonte de cobiça para a China:

No destaque: Lhassa, capital espiritual do Tibet
04 novembro, 2007
Série Vespeiros na costa chinesa que envolvem porta aviões americanos 47 - Taiwan
No mapa: Taiwan, na costa chinesa
Taiwan, Taipé ou Formosa são denominações comuns da ilha de Taiwan, que hoje é governada por um governo autônomo, embora juridicamente faça parte da China Continental. A ilha obteve o status de não província e não país após a revolução Comunista de 1949, quando Mao Tse Tung explusou o Koumintang para a ilha de Taiwan, último refúgio dos nacionalistas. A ilha, a poucos quilômetros da costa, serviu como refúgio dos últimos remanescentes do antigo regime republicano chinês, e foi habilmente protegida durante estes anos por uma frota americana estacionada no local.
Taipei, a capital, éumamoderna e superpopulosa cidade asiática
Imagem da modernidade de Taiwan
Taiwan, Taipé ou Formosa são denominações comuns da ilha de Taiwan, que hoje é governada por um governo autônomo, embora juridicamente faça parte da China Continental. A ilha obteve o status de não província e não país após a revolução Comunista de 1949, quando Mao Tse Tung explusou o Koumintang para a ilha de Taiwan, último refúgio dos nacionalistas. A ilha, a poucos quilômetros da costa, serviu como refúgio dos últimos remanescentes do antigo regime republicano chinês, e foi habilmente protegida durante estes anos por uma frota americana estacionada no local.Taiwan tem para os americanos o status de aliado. Por isso, é um dos poucos países da região a cooperar com as políticas americanas para o Pacífico. Taiwan depende de Washington para sua defesa quanto a uma ameaça de invasão Chinesa. E os americanos não esquecem da importância da ilha, vital por ser uma espécie de porta aviões insubmergível ancorado na costa do gigante chinês. Do território taiwanês, os Estados Unidos poderiam bombardear qualquer posição chinesa, em uma eventual crise entre ambos os países. As tensões esfriaram na década de 70, quando a China entrou para a ONU. Taiwan então virou um não país, embora faça parte da Comunidade do Pacífico.
Economicamente, a ilha têm na industria moderna seu ponto forte, com uma população extremamente capacitada e uma excelente saída de seus produtos para os mercados ocidentais. A pujança econômica e o IDH taiwanês colocam esse não país entre os de melhor condição de vida para sua população, diferente do gigante chinês que mantém em estado de semi-escravidão mais de dois terços de sua população. Cresce ainda em Taiwan a idéia da independência do país em relação à China, o que já é uma realidade de facto, embora ainda não reconhecida de jure.
Em destaque: relevo montanhoso de Taiwan
Taipei, a capital, éumamoderna e superpopulosa cidade asiática
Imagem da modernidade de Taiwan
02 novembro, 2007
Série exclaves Russos conquistados aos cavaleiros teutônicos durante a Segunda Grande Guerra 46 - Kaliningrado/Königsberg
No mapa: Kaliningrado, exclave russo



Na imagem: Centro de Kaliningrado

Kaliningrado é um território federal da Rússia desde o fim da Segunda Guerra. Está expremido entre Polônia e Lituania, e é o único porto russo no Mar do Norte. Assim como sua co-irmã, as Ilhas Kurillas, Kaliningrado é um despojo de guerra, uma área ocupada pela falecida URSS e que acabou integrada ao fim da guerra pelos insaciáveis russos.
A região foi parte do antigo império Alemão até o final da Primeira guerra. Com a dissolução do mesmo, parte da área foi incorporada à Polônia, permanecendo Königsberg como um território alemão. Chega a Segunda Guerra, e após a derrota militar alemã, a então URSS dizima a população local, enquanto ocupa o território com populações russas. Hoje, esta população está estimada em pouco menos de 1 milhão de habitantes, em sua maioria russos.
A posse de Kaliningrado foi facilitada até o fim da União Soviética porque a Lituânia fazia parte da mesma. Assim, a Rússia tinha acesso direto ao exclave. Com o fim soviético e a independência das repúblicas do Báltico, a região tornou-se um exclave, cercado por território estrangeiro, de cuja boa vontade dependem os russos para assegurar a posse da região.
A excentricidade de sua posição, bem no meio da União Européia faz de Kaliningrado uma ponta de lança da economia russa na Europa. Com status de província (oblast) e de região econômica especial, Kaliningrado pode tornar-se o principal porto de comunicação entre os russos e o mundo Ocidental, de quem o país depende para a venda de seu gás natural e petróleo, e de quem importa gêneros alimentícios e tecnologia.
Em destaque: Porto de Kaliningrado

Em destaque: o passado medieval germânico de Kaliningrado

Na imagem: Centro de Kaliningrado
15 julho, 2007
Série Repúblicas Autônomas Independentes de Fato mas Não Reconhecidas por suas pares 45 - Abecázia/Abkhazia

Abecázia é um dos raros casos de sucesso que não levam a lugar nenhum quando o assunto é luta armada pela independência nacional por motivações étnicas e culturais. O pequeno estado auto-proclamado independente desde a década de 90, localiza-se na costa oriental do mar Negro, junto à fronteira entre Rússia e Geórgia.
Na década de 90, seguindo o rastro da desintegração da URSS, a República Autônoma da Abecázia, parte integrante da RSS da Geórgia declarou unilateralmente sua independência. Até aí nada demais. Neste período, países hoje independentes como Ucrânia, Lituânia e mesmo a Geórgia declararam-se independentes e fora da esfera política moscovita. O que se seguiu foi ainda mais complicado. A Abecázia não era considerada uma das repúblicas formadoras da URSS, mas da Geórgia, esta sim uma das repúblicas da extinta federação. Complicado? Pois é. Junte-se a isso décadas de nacionalismo étnico sufocado pela pressão econômica e demográfica dos georgios, que vêm na pequena república um das mais importantes regiões da economia local e uma intensa campanha de limpeza étnica e russificação da região desde o governo de Stálin e pronto: uma guerra civil pronta pra acontecer.
Estranhamente os abecázios, pouco mais de 100 mil hoje, venceram a guerra contra a Geórgia. Graças a um apoio logístico russo, que manteve tropas estacionadas na região e evitou a ocupação da Geórgia de seu próprio território, pelo menos do ponto de vista da lei Internacional. A motivação: controle do litoral do mar Negro, por onde passam boa parte das exportações russas de petróleo para o Ocidente. Deu pra entender?
O fato maior é que a Rússia utilizou uma motivação legítima, a luta dos Abecázios por autonomia, para promover seus interesses econômicos na região. A guerra entre Abecázia e Geórgia gerou mais de 250 mil refugiados, em sua maioria georgios étnicos; quase 50% da população abandonou suas casas e fugiu para a Rússia e para a Geórgia. Ainda hoje, a Abecázia é um território sob tensão, e a frágil situação local é mantida por um exército de pacificadores da ... Rússia... Isso não é fantástico?
A Abecázia é hoje uma área sob intervenção estrangeira: tropas russas no país

Litoral da Abecázia, vista da Capital, Sukhumi

A influência russa e turco-otomana (norte e sul, respectivamente) na cultura local reflete-se, por exemplo, na arquitetura
08 julho, 2007
Série Países Controlados por Impérios Decadentes e que aspiram a Liberdade 44 - Bermuda

Nas imagens, mapas da ilha e do arquipélago de Bermuda, com sua localização em relação aos Estados Unidos.
Se um professor de geografia entrasse hoje em sua classe da Univille e perguntasse aos seus estudantes quantos países compõe o sub-continente norte americano, ninguém entenderia a pergunta. Se a reformulasse nos termos: quantos países existem na América do Norte, receberia respostas diversas. Um aluno poderia responder - Dois países, considerando América do Norte apenas Estados Unidos e Canadá, de cultura anglo saxônica e excluindo geograficamente o México a uma obscura e estranha América Latina. Outro diria - Três, professor, pois América Latina é uma divisão cultural e étnica, e América do Norte é apenas um conceito geográfico, portanto geograficamente o México é América do Norte. Um terceiro aluno replicaria: Quatro, pois a colônia francesa de Saint Pierre e Miquelon (este descobriu essa pérola aqui neste blog), mesmo sendo um território ultramarino, é uma entidade autônoma dentro dos limites geopolíticos da América do Norte. Outro afirmaria que, além destes quatro, existe a Groenlândia, colônia dinamarquesa na América. E finalmente um outro examinaria atentamente a geografia local e decretaria: são seis territórios, além dos citados existe Bermuda, território ultramar do Reino Unido.
A ilha de Bermuda, que dá nome ao pequeno arquipélago do mesmo nome, é uma antiga possessão britânica no atlântico Norte, junto à costa americana, a cerca de 1350 km da Nova Escócia. Desde o início da exploração colonial espanhola no século XV, Bermuda figura com diversos nomes nas cartas náuticas, mas a primeira tentativa séria de ocupação viria no século XVII com os britânicos, pouco depois das fracassadas tentativas de fixação de colonos no litoral da Virginia. A ilha era desabitada devido à sua grande distância da costa e a falta de tradição de navegação oceânica (falta de necessidade, na verdade) dos povos costeiros norte-americanos. A verdade é que o Atlântico Norte não é exatamente um mar de brigadeiro, com numerosos tufões atingindo a região todos os anos, a caminho do continente.
Bermuda foi o único território Britânico no litoral do Atlântico Norte a permanecer em mãos inglesas após a guerra de independência Norte Americana, com exceção do Canadá, independente posteriormente. Sua importância atual é estratégica e financeira. Durante a guerra fria, americanos, canadenses e britânicos mantiveram tropas estacionadas na ilha, retiradas no final dos anos 90. Desde a década de 70 movimentos de independência influenciam a política da ilha, dividida regularmente entre prós e contras a autonomia política de Bermuda.
A grande questão é se o país é viável autonomamente, como nação soberana, ou se necessita da estrutura de governo implantada no país pelos britânicos. Economicamente, Bermuda depende amplamente do turismo e dos investimentos externos nas empresas offshore, que pagam impostos irrisórios ao governo local e se instalam no país para fugir à pesada tributação de seus países de origem, como nas Ilhas Cayman. O futuro de Bermuda permanece ligado a sua capacidade ou não de gerir de forma solvente um governo nacional independente, sem a necessidade da presença inglesa no local.
No destaque: Vista de Hamilton, capital de Bermuda.

Porto de Hamilton

Na imagem, o clima subtropical favorece a atividade turistica
09 junho, 2007
Série Pet Rocks ocupadas por Potências Opressoras e Ignoradas pela Humanidade 44 - Rockall
Rockall, colônia britânica no mar do Norte.Nossa saga através da vida e história dos países oprimidos é retomada com uma das mais fascinantes nações oprimidas ignoradas pela humanidade: Rockall, colônia subjugada do Reino Unido.
Em Rockall, desenrolou-se uma das mais fantásticas conquistas militares da história do Império Britânico. Como haviam perdido a Índia, o Oriente Médio e quase toda a África, os britânicos resolveram reviver suas glórias do passado, conquistando Rockall. No topo da ilha, os britânicos erigiram uma placa que, segundo os depoimentos recolhidos por historiadores das gaivotas e cracas sobreviventes, passou para a história como o 'Dia da Infâmia'."Pela Autoridade de Sua Majestade a rainha Elisabeth II, pela Graça de Deus [e pela derrota de Oliver Cromwell] rainha do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte e de seus outros reinos e territórios [Ilha de Man, Falklands, entre outros], Chefe de Estado da Commonwealth, defensora da Fé, e em acordo com as ordens de sua Majestade, na data de 14 de setembro de 1955, um desembarque [invasão!] foi efetivado neste dia pelo navio HMS Vidal nesta ilha [ilha???] de Rockall. A Union Flag [a bandeira britânica, aquela que mistura a da Inglaterra com a da Escócia] foi hasteada nesta possessão e esta ilha foi conquistada em nome de sua Real Majestade. Assinado: R H Connell, Capitão do HMS Vidal, 18 de Setembro de 1955."
Era o fim da independência e o início da era da escravidão.
Rockall é uma rocha no mar do Norte. Ponto. Não tem solo. Não tem habitantes. Fica a mais de 400 km de distância de qualquer ponto habitado da costa irlandesa. Não tem ponto de desembarque. É fustigada continuamente pelas vagas do Atlântico Norte, que desaconselham permanentemente qualquer tentativa humana de ocupação. Parece uma área esquecida pelo tempo, onde dia e noite o mar vem se empenhar na luta contra a rocha sólida, onde Netuno e Hefestos mediram forças num tempo já esquecido e cuja insígnia da vitória conquistada em favor do deus dos vulcões é este pequeno promontório árido e colonizado em pequena escala por pássaros marinhos e seus habitantes fixos, os mariscos.
A medida oficial deste pequeno país é de 520 m², ou seja, um terreno de 20 por 26, mas creio que ela foi medida em razão do volume, e não da superfície. E é alvo de uma renhida disputa diplomática e militar entre ingleses, islandeses e dinamarqueses, pela posse de tão fantástico centro econômico e estratégico.
Duvida de sua importância, réles mortal? É compreensível. O que atrai a cobiça em Rockall é exatamente o mesmo motivo que leva americanos a morrer no Iraque e no Afeganistão: reservas energéticas imprescindíveis nestes tempos de economias aquecidas e bom senso escasso. Rockall é pura e simplesmente pretexto para se extender ao redor de sua costa o limite internacional de águas da zona econômica exclusiva, o que permitiria aos colonizadores o acesso aos reservatórios de gás natural e petróleo existentes em sua plataforma continental. A guerra por Rockall esfriou quando a ONU decidiu que rochas desabitadas não tem direito a zona econômica exclusiva (que avanço) e a exploração deve ser feita conjuntamente pelos interessados.
Assim, os pobres animais filtradores de plancton de Rockall poderão viver em paz no futuro, embora muitos acreditem que esta paz não será permanente.
Em destaque: mapa de Rockall
03 fevereiro, 2007
Série Países Congelados disputados por nações imperialistas sem nada melhor pra fazer 43 - Ilhas Orkney do Sul
Selo comemorativo dos 50 anos de ocupação argentina nas Orkneys, década de 50.

As ilhas Orkney são uma das muitas possessões britânicas reclamadas pela Argentina (ver Falklands e Georgia e Sandwich do Sul). Foram descobertas no século XIX por expedições britânicas na região, e em 1908 os britâncios declararam sua soberania unilateralmente sobre todos os territórios antárticos próximos às Falklands, a única colônia habitada. Assim como no caso das Falklands, os argentinos não gostaram, e desde 1904 mantinham uma estação de pesquisas na região. Com a assinatura dos tratados antárticos, na década de 50, que proibiram a exploração comercial do continente por um século, as tensões esfriaram, como o clima da região.
As ilhas que formam as Orkneys são resultado de intenso vulcanismo sobre a dorsal meso-atlântica, a mesma que formou as ilhas de Ascenção. Além do intenso vulcanismo em determinadas partes do território, são constantemente fustigadas por tempestades marítimas e castigadas pelo frio antártico.
Apenas o interesse econômico justifica a briga. Afinal de contas, como o continente antártico é inabitável por populações permanentes, a exploração econômica dos recursos naturais não é. Hidrocarbonetos (petróleo e gás), krill, pesca comercial em geral, água (isso mesmo, num futuro não muito distante, já que a água hoje já é considerada commodities). Citando a mim mesmo: "A resposta para o jugo que recai sobre os pingüins e focas locais é que o governo britânico transformou a região em reserva ecológica (econômica?), e a preservação local impõe que as ilhas tenham também o direito a um mar territorial de 200 milhas marítimas de extensão (até uma garrafa de plástico boiando, se tiver uma bandeira fincada em cima, tem direito a parcela equivalente de 200 milhas de mar territorial, desde que convença os outros países (países?) da antigüidade de ocupação e do direito a exploração de tal área de garrafa)".
Base argentina nas Orkneys, provando que os hermanos não brincam em serviço

A primeira base na região, 1904
14 janeiro, 2007
Série Paises esquecidos pela opinião pública mantendo sua cultura intacta 42 - Nuxalk
Acima: mapa do território nuxalk, oeste canadense. A nação nuxalk é remanescente de uma das milhares de culturas ameríndias que existiam antes do período da conquista da América, e faz parte do pequeno grupo que sobreviveu e manteve unidos seus membros pela cultura e religião. Habitam tradicionalmente a região Oeste do Canadá, no litoral da Colúmbia, rico em madeiras nobres e pesca mas parcamente habitado, exceto no extremo sul, em Vancouver.
Os nuxalk hoje somam pouco mais de novecentas pessoas que ocupam o tradicional território entre as chamadas quatro aldeias ao redor de Bella Colla. Apesar de serem protegidos por leis federais, os nuxalk estão sob extrema pressão dos grupos econômicos que têm interesses nas potencialidades econômicas do pequeno território. Mas, ao contrário dos acordos com os Innuit, no norte, donos de imensas jazidas de petróleo e de uma terra desértica, os nuxalk tem interesse cultural em manter suas terras intactas.
Por conta da religiosidade, o povo nuxalk cultiva uma profunda veneração à natureza e a diversos espíritos e entidades ligados à realidade objetiva de seu meio. A destruição da floresta seria inaceitável pois seria mexer com os pilares de sua cultura; portanto, nada de acordo com madeireiras e grandes pesquieros.
A luta nuxalk é pela manutenção de sua comunidade e de seu modo de ver e se relacionar com o mundo; a mesma que todos nós temos que enfrentar em nossas culturas todos os dias.
Abaixo: reunião do(a)s patriarcas nuxalk: uma característica desta cultura é a presença comum de mulheres na chefia de clãs e famílias extensas

Abaixo: nuxalks por volta de 1890, quando eram conhecidos por Bella Collas

Arte totêmica: o totem simboliza o clã a que pertencem as famílias extensas e clãs e figuram qualidades desejáveis dos espíritos protetores que são incorporadas pelos protegidos do totem
13 dezembro, 2006
Série Países Agregados a Grandes Imperialistas com Reduzida Autonomia Nacional 41 - Buryatia

Foto de satélite do Lago Baikal, junto à fronteira Rússia-Mongólia

Vista do Lago Baikal

Buryatia é o nome dado a uma extensa região localizada entre o lago Baikal, na Rússia e a fronteira com a Mongólia. Habitada desde os primeiros séculos da atual era por povos nômades de origem mongólica, localiza-se no centro da Sibéria, cuja aspereza do clima e a necessidade da transumância permanente fizeram da região um centro irradiador da cultura nômade que se espalhou durante os séculos vindouros por toda a região que se estende entre as estepes siberianas e os Urais.
A república de Buryatia é uma entidade autônoma dentro da Federação Russa, e reconhecida como tal pelos demais países da região, com autnomia interna mas externamente dependente da Rússia. Sua população é majoritariamente russa, embora a população autóctone, ou buryat, exceda os 20% do total dos 900 mil habitantesdo lugar. A maior parte da população vive das atividades ligadas ao setor primário: exploração mineral, agricultura de subsitência e pastoreio extensivo. Por causa do rigor climático, Buryatia depende excencialmente da importação de alimentos, pagas com as divisas fornecidas pelos serviços de mineração e exportação destes produtos.
A capital e única grande cidade é Ulan Ude, às margens do Baikal, que é considerado a artéria vital da economia. Por ser uma região árida e fria, o Baikal fornece quase toda a água consumida pela população, daí a conformação d o território Buryat ao redor do mesmo.
Culturalmente, Buryatia é o centro da religião budista tibetana na Rússia, além de uma menor importância do xamanismo mongol e do cristianismo ortodoxo. A colônia budista de Ivolginsky é considerada uma das mais dinâmicas e florescentes do mundo fora da área do Tibet, e seus lamas (sacerdotes) são respeitados pela tradição de grandes eruditos entre a população local.
Historicamente, Buryatia já abrigou parte dos impérios Huno, no século III e IV e mongol nos séculos XIII em diante. Após a queda do Kanhato da Horda Dourada, no século XVI e que tinha suserania sobre as vastas regiões diberianas até os Urais e Moscou, a região foi conquistada no século XVII pelos cossacos da nascente dinastia moscovita que, ainda hoje, domina toda a região norte do continente asiático. Junto com os cossacos implantou-se o cristianismo ortodoxo e a limpeza étnica dos grupos autóctones locais, com perseguições contra a cultura budista e xamanista. Conseguiram certo grau de autonomia com a revolução que implantou a URSS, no início do século XX, mas sob Stalin a região sofreu com o processo de coletivização das terras, com a propagação da ideologia totalitária comunista e com a perseguição aos líderes religiosos tradicionais da comunidade Buryat. A migração em massa de russos para a região em busca das riquezas minerais siberianas fragmentou ainda mais a comunidade Buryat, que somente após 1995 obteve do governo russo certo grau de autonomia e valorização da cultura Buryat, com a difusão da língua e cultura tradicionais na vida da pequena república siberiana.
Templo Budista em Ivolginsky, Buryat:

Aspecto de Ulan Ude, capital de Buryatia: restos do socialismo

Interior de um templo budista em Ivolginsky

Visita do Dalai Lama a Buryatia, importante comunidade lamaísta

A montanhosa Paisagem Buryat
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