17 outubro, 2006

Série Colônias Esquecidas em regiões inóspitas e habitadas por Nazistas sobreviventes 36 - Neuschwabenland



Neuschwabenland (Nova Suábia) é o nome dado a uma extensa região do litoral atlântico da Antártica, e que durante o período de 1937 a 1945 foi reconhecidamente uma colônia alemã.
Conhecida desde as primeiras expedições antárticas do século XIX, o recortado litoral da Antártica era objeto de disputa entre diversas nações européias, entre os quais o Reich do Kaiser Guilherme. Em seu governo, diversas expedições aportaram na região, e em 1873 fizeram um reconhecimento minucioso da costa, objetivando a efetiva ocupação das despovoadas terras do sul.
Em 1937, durante o governo Hitler, os alemães resolveram ocupar e reinvindicar a região para o Terceiro Reich. Mobilizando o que havia de melhor em tecnologia e recursos, os alemães mapearam e fizeram o levantamento topográfico de uma área de 600 mil quilometros quadrados, maior que a própria Alemanha, produzindo cerca de 11 mil fotografias e dispersando milhares de bandeiras do Reich na região, o que era a forma mais comum de se ocupar uma área e aceita internacionalmente.
Até a eclosão da guerra, em 1939, os alemães descobriram diversas áreas onde o continente antártico é livre da camada permanente de gelo, causadas por fontes termais e vulcanismo. Uma imensa falha geológica corta o continente, seguindo pelo Oceano Pacífico. Durante a guerra, os submarinos alemães foram utilizados intensamente nas águas da Antártica, chegando mesmo a tentar ocupar o Estreito de Magalhães e as Falklands, mas sem sucesso.
Após a guerra, existem relatos de uma expedição americana ao continente, em 1947, pretensamente para destruir as bases militares nazistas presentes na Antártica. A partir daí, tudo o que se relaciona com a região de Neuschwabenland é envolto por especulações ufológicas e outras correntes mistificadoras, que envolvem em uma aura de mistério a existência ou não em algum momento da história de ocupação humana permanente na Antártica antes da Segunda Guerra Mundial, o que por si só seria um fato notável.

Em destaque: avião sendo lançado do navio Suábia



Em destaque: o Schwabenland, ou Suábia



Em destaque: súditos do Terceiro Reich na Antártida ocupada


11 outubro, 2006

Série Arquipélagos Condenados a Submissão a Múltiplas Metrópoles Imperialistas 35 - Ilhas Spratly




Localizadas estrategicamente na região do mar do Sul da China, as ilhas Spratly são objeto de disputas entre diversas potências locais: China, Malásia, Filipinas, Taiwan (que a China também quer), Brunei e Vietnam.
São cerca de uma centena de ilhas, recifes, rochedos e atóis desabitados, exceto pelas bases de pesquisa meteorológica das nações em litígio, assoladas pelos tufões que vez ou outra aparecem por ali.
Pergunta: o que um país como a China, ou mesmo Brunei, iriam querer em uma região tão inóspita?
Resposta: o acesso exclusivo aos campos de prospecção de hidrocarbonetos (petróleo) e à pesca comercial.
Enquanto isso, as oprimidas formas de vida marinha seguem suas vidas oprimidas, enquanto a luta por sua soberania política se desenrola em algum lugar do leste asiático.

Em destaque:ocupação chinesa das Spratly



Em destaque: vista aérea de uma das ilhas

02 outubro, 2006

Série Países Extremamente Oprimidos e prestes a desaparecer na Oceania 34 - Tokelau



Toquelau é um dos dezenas de pequenos países que provavelmente irão desaparecer no decorrer dos séculos XXI e XXII, graças ao aquecimento global. Com a eminente subida das águas do Pacífico, os toquelauenses terão que emigrar, abandonando assim uma terra que a séculos tem sido ocupada por polinésios vindos dos arredores em migrações que remontam ao século X.
O arquipélago em si é formado por três pequenos atóis distantes entre si centenas de quilômetros, e que foram reunidos formalmente em um protetorado no século XIX sob o nome de ilhas da União pelo império Britânico. Com a independência da Nova Zelândia, a Grâ bretanha passou diversas possessões para esta última. Desde a década de 30 os habitantes de Tokelau são também cidadãos da Nova Zelândia, numa livre-associação que já dura 80 anos. Em 2005, instados em um plebiscito a serem independentes, os tokelauenses decidiram permanecer ligados ao estado neo zelandês, pois caso contrário perderiam os gordos subsídios pagos por este para manter os serviços essenciais nas ilhas em perfeito funcionamento.
Economicamente Tokelau depende do extrativismo marítimo, da pesca, do cultivo do coco, da venda de selos e do turismo. Apesar disso, todos os anos os tokelauenses deixam a ilha rumo à metrópole, em busca de empregos e dólares para enviar de volta a seus parentes. Praticamente tudo na ilha é importado, e sem um produto econômico forte Tokelau tende a desaparecer antes mesmo de sua independência, marcada para 2010, ou mesmo da inundação que cobrirá os restos da aventura polinésia de ocupação da imensa área compreendida entre os trópicos de Capricórnio e o de Câncer, no Oceano Pacífico.

No destaque: o atol de Nukunonu



No destaque: vista aérea do atol de Atafu, destacando as barreiras de coral ao redor da ilha principal




No destaque: Uma vista de Tokelau



No destaque: a base econômica continua sendo a pesca em pirogas.

12 setembro, 2006

Eu tenho medo das religiões monoteístas proselitistas



Recentemente, o presidente G.W. Bush dos USA resolveu que era hora de dar o seu real motivo de estar atacando outros países ao redor do globo: estamos fazendo o trabalho de deus. Isto foi dito numa conferência da Igreja Batista do Sul, junta a outros dezenas de milhares de eleitores em potencial para o partido Republicano. Parece um caso isolado, associar fé e política, eleições com crenças, lei e religião. Mas o fato é que em todo o mundo cada vez mais a razão, sobre a qual foram fundadas as instituições que deveriam governar nossas vidas estão sendo lentamente solapadas por pequenos grupos radicais religiosos, que fazem do Estado laico um balcão de visibilidade para divulgação de seus preceitos.
Presume-se que uma pessoa imbuída do espírito religioso é aberta, tolerante, fiel aos mandamentos que norteiam sua vida religiosa. Mas não deve-se estender o substantivo tolerância aos monoteístas proselitistas. Monoteísta não é aquele que acredita em apenas um deus e serve apenas a ele, mas aquele que não aceita de maneira alguma a existência de outros. Seu deus escreve-se com letra máiúscula, enquanto os outros são aceitos como criações humanas, e portanto indignos da letra grande no início de seus nomes. Já proselitista é aquele que sai de porta em porta a pregar, utilizando para isto meios tão variados como rádio, tvs, revistas, leis, feriados, códigos de postura, entre outros. O fato de alguém pregar sua religião como sendo a verdadeira automaticamente desqualifica a do outro.
Não existe problema algum em se definir como cristão de tal grupo ou tal grupo, mas sim no fato de não aceitar que o outro seja tão bom qaunto o meu. Intolerância é muito mais do que entrar em conflito: este é apenas um efeito da depreciação diária feita pelos pregadores em relação a outras formas de se expressar religiosamente. Intolerância começa na vida em comum, nos pequenos gestos, na falta de um critério que defina os pontos comuns entre as religiões em vez de apenas mostrarem as diferenças.
Os grupos humanos são culturalmente narcisistas, e valorizam seu grupo de identificação como sendo o único que traz a verdadeira felicidade. Todos os grupos humanos são conscientes de sua superioridade frente aos demais. Sempre irão mensurar seus similares por aí em função de melhor ou pior que o meu ponto de vista. Uma vez que só temos uma maneira de conviver com o o mundo, esta será nossa régua. Mas determinados grupos simplesmente não podem aceitar que outras formas de visão existam.
Um exemplo de grupo narcisista tolerante eram os antigos romanos. Em matéria de religiosidade, os romanos adotaram os deuses de praticamente todas as nações sob seu domínio, deformaram suas formas originais, adaptando-as com sua régua de medir o mundo. Ao perceber semelhanças entre seu Júpiter Olímpico com o Baal fenício ou com o Zalmoxis das tribos partas, eles estabeleceram uma relação aceitável de tolerância. Não há problema algum em se adorar Baal, já que ele é uma versão local do seu deus supremo. Mesmo sendo uma visão preconceituosa (todas as visões são preconceituosas, só temos um óculos para ver o mundo), permitia que fenícios e partos permanecessem com sua crença, mesmo travestida por elementos romanos.
Agora peguemos o exemplo das primeiras religiões monoteístas éticas, como o judaísmo dos Juízes. São extremamente intolerantes: nehum outro povo tem a verdade, apenas Israel. Quando entram em contato com outras populações, estas não são assimiladas, mas expulsas e destruídas. Não pode haver espaço para ambos em sua terra: se você não adora ao verdadeiro deus, então deve partir. Mas param por aí. Uma vez estabelecidos, os judeus do tempo dos Juízes dificilmente faziam algum esforço para entrar em contato com outras culturas. De fato, tal contato é sempre evitado. Não existe proselitismo da religião judaica, pelo contrário: poucos são aceitos na assembléia que não estejam discriminados pelas suas leis. E o sistema se mantém com o próprio povo que o criou, sem espalhar-se pelos vizinhos.
Já os monoteístas proselitistas parecem não descansar enquanto todos não tiverem a mesma fé, o mesmo modo de ver o mundo, a mesma maneira de se relacionar com a divindade. A raiz deve ser a mesma, mas devido a problemas de logística, como manter grupos diferenciados culturalmente sob o mesmo domínio, perde-se no caminho o ideal de unidade, e surgem as dissenções. E estas dissenções são a pior causa de guerras e mortes dos últimos 500 anos de nossa história. Sob a égide da Unidade impossível, travamos guerras por diferença de opinião acerca dos mais diversos assuntos: se o vinho é sangue, e se o sangue é vinho; se o cabelo deve ser curto ou comprido; se as pessoas devem adorar imagens ou destruí-las; se ler as escrituras sagradas de sua religião ou mesmo de outras é lícito ou não; se adorar seu deus em sua língua natal é aceitável ou não. E quanto menor for o motivo, maior será a destruição. E tudo isto porque somos incapazes de aceitar que o outro grupo tem tantas semelhanças com o nosso que não podemos travestí-los com nossa ideologia para torná-lo aceito.
Por isso o convívio humano só poderá ser possível em toda nossa diversidade cultural quando estivermos dispostos a aprender sobre a diversidade de opiniões, culturas e religiões que existem no mundo. Conhecer para aceitar. Não se trata de se renunciar às próprias convicções, mas de ter a capacidade de reconhecer na religião alheia as mesmas fórmulas, medos, esperanças, que fazem de nossa vida uma jornada mais suportável. Saber que por trás de nomes diferentes e maneiras diferentes de se vivenciar a cultura, existem os mesmos sentimentos que nos unem como espécie. Aceitar o outro é apenas um passo simples, mas o mais difícil de se dar, e por isso o mais importante.

05 setembro, 2006

Série Antigos Territórios Sobreviventes da Idade Média Européia e pertencentes a feudatários particulares 33 - Ilha de Man

A ilha de Man é nosso trigésimo terceiro país oprimido, localizado junto a Grã Bretanha, mais especificamente no mar da Irlanda (porque da Irlanda?).
A ilha é um dos pequenos feudos remanescentes no mundo (livre?) em que vivemos hoje. Assim como Andorra, a ilha é propriedade de um determinado senhor, a saber, a Coroa Britânica. Não, a ilha não faz parte do Reino Unido, como muitos devem estar pensando. É um território dependente diretamente da Coroa, que por acaso governa o Reino Unido.
Antigo território celta (como quase metade da Europa, caso são saibam), a ilha foi sucessivamente conquistada por normandos e anglos, sendo que a partir do século XIX passou a ter seus negócios geridos diretamente pela Coroa. Embora não faça parte do Reino Unido, faz parte da Commonwealth britânica, assim como Canadá e Austrália. Assim, é ao mesmo tempo reconhecida como uma entidade política autônoma e dependente. Caso os britânicos resolvam se livrar de sua família real (já fizeram isso várias vezes) e tornar-se uma república (já fizeram isso), a Ilha continuaria como território dependente da família real, que provavelmente poderia continuar suas funções de chefe de Estado por ali. Mas os manx não consideram a rainha da Grã Bretanha e Irlanda do Norte como sua chefe de Estado, mas como sua senhora feudal (lorde), já que quem governa a ilha é o parlamento local (como se fosse um país independente, como Austrália e Canadá) e o governador nomeado em Londres (como as Falklands ou Santa Helena, territórios dependentes).
Creio que nem os manx conseguem definir sua situação política, embora culturalmente estejam mais próximos dos irlandeses, já que possuem língua própria (o manx), similar ao antigo Gaélico, falado com variações em Gales e na Escócia. Definitivamente, é um lugar muito estranho par ser definido em razão apenas de sua situação política e cultural, já que apresentam-se mesclados elementos das antigas tradições consuetudinárias aliadas as modernas leis do parlamento.

Vista de um farol, junto à costa de Man


Em destaque: bondes puxados por tração animal, ainda em atividade em Man

Em destaque: o pequeno cavalo manx, base da economia agrícola local

01 setembro, 2006

Série Arquipélagos Localizados em regiões remotas e em disputa por países imperialistas 32 - Ilhas Kurillas


A Segunda Guerra Mundial ainda não acabou, pelo menos para dois países: a União Soviética e o Império Japonês, representados atualmente pela Rússia e pelo Japão. Tudo por causa de um pequeno arquipélago que liga a parte peninsular de Kamchatka à ilha de Sapporo, norte do Japão.
As ilhas, tratadas como Kurillas pelos russos e como territórios do Norte pelos japoneses são uma das áreas abocanhadas pela antiga URSS como despojos de guerra durante a Segunda Guerra Mundial. Como sabem, após a derrota do eixo na parte européia, a URSS concentrou seus esforços para expulsar os japoneses da China, invadindo a Manchúria, da Coréia e do mar de Okhotsk. Enquanto os americanos atacavam por mar, pelo sul, algumas unidades anfíbias do exército vermelho ocupavam a região norte do Japão, em especial o arquipélago em disputa.
Após o fim da guerra, a URSS negou-se a devolver o território aos japoneses, pretextando, como no caso da Bessarábia, direito de guerra. Nada que espante: os americanos ocupam Okinawa até hoje, e mantém milhares de soldados no Japão a pretexto de defender o país do resto do mundo. O território historicamente vem sendo sucessivamente ocupado por alguns senhorios do norte do Japão desde o século XVIII. A parte mais ao norte, junto da área peninsular, sempre teve asentamentos russos, a partir do século XIX. Desta forma, russos e japoneses compartilhavam a soberania sobre as ilhas. Em 1875, as ilhas foram cedidas ao Japão, em troca da soberania plena russa sobre a ilha Sakhalin. Apenas após a segunda Guerra Mundial é que os russos retomaram a sua posse, sem protestos japoneses, exceto pelas quatro ilhas ao sul, denominadas de Chishima. Sem um acordo viável nesta questão, a Segunda Guerra Mundial permanece me aberto, mais de 60 anos depois.

Agora, o que interessa: por que os russos fazem tanta questão de manter as Kurillas?


Pelo controle total do mar de Okhotsk e de seus recursos minerais e pesqueiros: pirita, sulfatos em geral, minérios polimetálicos (tungstênio, magnésio, titânio). Também não se descarta a possibilidade da existência de jazidas petrolíferas na região, junto à plataforma continental, embora toda a área seja de origem vulcânica.

Em destaque: uma vista das Kurillas:




21 agosto, 2006

Série Antigas Colônias Hispânicas na África Negra oprimidas por outras ex-colônias Hispânicas 31 - Ilha Bioko

A ilha de Bioko é o trigésimo primeiro país oprimido de nossa grandiosa lista que não para de crescer de territórios sob o jugo estrangeiro, em seu caso, o da Guiné Equatorial.

Localizada na região do Golfo da Guiné, aquela imensa curva no litoral africano semeada de rios, ilhas, etnias e países pequenos (uns vinte), a região é considerada com razão o berço da cultura bantu, um dos macro grupos que compõe a variada população africana. Os habitantes de Bioko, uma pequena ilha na costa de Camarões mas pertencente ao enclave de Guiné Equatorial são em sua maioria descendentes da auto proclamada etnia Bubi, um dos grupos mais antigos da região.

Em destaque: mapa da região, com a ilha de Bioko



Alguns historiadores espanhóis estimam a presença da cultura bubi na região entre 3 e 5 mil anos AP, além de serem uma das raras culturas africanas a ocuparem efetivamente uma ilha do seu litoral (excluíndo-se, naturalmente, as ilhas a pouca distância, são raros os povos africanos que ocupavam as ilhas ditas oceânicas, por sua falta de conhecimentos náuticos, e estas acabaram sendo ocupadas por europeus e seus agregados a partir do século XVI).
O movimento pela independência das ilhas é recente, mas é duramente reprimido pelo governo equatorial, que é dominado em sua maioria por membros de outras etnias. A monarquia Bioko continua atuando na clandestinidade, e faz parte do imaginário popular e das tradições resgatadas pela população local. Uma das características mais interessantes da monarquia Bubi é que todos os súditos são parentes do rei ou de algum alto dignitário, por causa das linhas familiares e de clã. Desta forma, a monarquia Bubi é uma grande família patriarcal, com direitos e deveres em relação aos reis derivados das relações familiares.
A situação da Guiné Equatorial é complicada devido ao fato de possuir, entre outras particularidades interessantes, um governo exilado atuante, que conta com apoio restrito dos governos ocidentais, por defender reformas mais amplas visando a ocidentalização do sistema político da Guiné Equatorial, hoje uma ditadura militar (na verdade, apenas antes da colonização dos invasores espanhóis houve outra forma de governo na região que não fosse ditadura militar).
Com a perda de poder do governo central, a população de Bioko aspira agora por maior autonomia ou até mesmo pela independência completa.

Em destaque: paisagens da ilha Bioko



Em destaque: aspecto de uma pequena vila de Bioko



Em destaque: um lago entre as montanhas que formam a maior parte da paisagem de Bioko

09 agosto, 2006

Série Rochas Oprimidas por Governos Alienígenas e ambicionados por Governos Locais 30 - Vélez de la Gomera

Em destaque: vista lateral da pedra (Plaza de Armas) de Vélez de la Gomera, em disputa entre Marrocos e Espanha.



Vélez de la Gomera é apenas uma pequena ilhota com 77 metros de altura. Situa-se junto ao Marrocos, na costa africana, assim como Ceuta, Mellila, as Ilhas Perejil e Chafarinas, todas elas alegres e vibrantes colônias de sua majestade el rey de España. A região foi conquistada pelos espanhóis já em 1509, tomada dos antigos piratas da Bárbaria que a ocupavam como fortaleza inexpugnável, atuando no Mediterrâneo. Sua localização, junto à foz do rio Bades, permitia o controle do comércio entre o interior do Marrocos e as demais regiões mediterrânicas. Com uma superfície inferior a 1 km², a ilha serve de base para uma pequena guarnição do exército espanhol, encarregada de defender a possessão contra os imperialistas marroquinos, que acham que por estar dentro de seu território, usurpado por séculos de colonialismo e protetorados estrangeiros, o território é deles. Como já visto anteriormente no artigo acerca de Perejil, o problema em torno das possessões africanas da Espanha é muito maior. Envolve imigração de habitantes do Magreb para a União Européia, antigos conflitos entre muçulmanos e cristãos pela posse das terras, uma história feita de conflitos sangrentos de lado a lado e uma dose de intransigência dos governos locais, que tratam a população emigrada marroquina como uma sub-espécie humana e evitam qualquer comentário a respeito da devolução das tais plazas de armas ao Marrocos. Vélez de la Gomera já foi uma ilha, mas um sismo nos anos de 1930 assoreou boa parte do litoral, formando uma pequena língua de terra, ligando a ex-ilha ao Marrocos, um recado da natureza aos que acham que o território pertence aos africanos.

Em destaque: Mapa do Mediterrâneo, com destaque para as possessões espanholas no Marrocos



Em destaque: mais uma imagem da pedra (plaza de armas) de Vélez de la Gomera, com destaque para a ocupação feita pelo exército espanhol

08 agosto, 2006

Série a Solução Encontrada por Stalin para o problema Sionista 29 - Yevreyskaya



Ferrovia Transiberiana: no detalhe em vermelho, a região de Yevreyskaya.

Yevreyskaya é o nome russo para uma solução encontrada por Stalin em 1928 para o fenômeno sionista na recém-formada URSS: uma província autônoma, conhecida no Brasil como Oblast Autônomo Judaico, ou república socialista soviética dos Judeus.
A presença judaica na Rússia remonta à Rússia Imperial. Muitas regiões ocidentais eram divididas em assentamentos russos e judaicos, com uma forte presença cultural iídiche. Apesar do virtual aparthied social, por causa do anti-semitismo das culturas cristãs em geral, as comunidades judaicas gozavam de certo grau de autonomia e prosperaram, não tendo a chance de juntar-se à comunidade russa mas mantendo intactas a cultura e a tradição iídiche. Por séculos, iídiches e russos conviveram mais ou menos em paz, até o início dos Pogroms.
Os pogroms tornaram-se comuns no século XIX, e consistiam em maciças deportações de camponeses iídiches, cujas terras eram ambicionadas por membros do campesinato e da nobreza russa. Logo estes pogroms se estenderam para as áreas urbanas, e o intenso movimento de pessoas rumo ao exílio de sua terra natal resultou na morte de milhares de pessoas, num dos grandes genocídios pouco comentados do século XIX. Para uma melhor visualização da presença judaica na Rússia czarista, sugerimos o filme 'O violinista no telhado'.

A política de extermínio disfarçado dos iídiches só arrefeceu com a chegada dos bolcheviques ao poder, cuja militância de origem judaica era de grande importância para a estabilidade do partido. Com a URSS, os iídiches foram reconhecidos como uma cultura autônoma, e portanto, de acordo com o estatuto dos povos não russos, teriam direito a uma entidade política autônoma, uma espécie de república ou província autônoma, que garantisse sua representação como classe no sovietes. Mas como garantir aos espalhados iídiches russos, por séculos de pogroms, um retorno às suas terras? Com a socialização dos meios de produção, não haviam mais terras particulares nas URSS. Também não era interessante desalojar os russos das terras roubadas de seus anigos donos durante os pogroms. A solução: criar uma região autônoma numa área desabitada, e mandar os judeus russos para lá. Surgia o Oblast Autônomo Judaico, em 1928. Mas a primeira questão é: porque na Sibéria, na fronteira com a China e próximo à Coréia? Como todos os projetos colonizadores, este também tinha seu propósito: garantir as posses das ricas terras ao norte do Amur, na fronteira sul da Rússia com a China. Apesar de gelada, e portanto imprestável para a agricultura, a Sibéria é rica em minérios, em especial ouro e urânio, além de madeiras. A construção da ferrovia transiberiana, ligando São Petersburgo a Vladivostok resolveu a questão de como chegar lá. Agora era necessário ocupá-las.
É claro que a iniciativa não funcionou como deveria. Os judeus ainda assentados em regiões como a Criméia e a Ucrânia não engoliram a história da Sião Marxista, e não conseguiam entender a relação entre ateísmo e judaísmo. Para estes, o propósito soviético era o mesmo dos antigos czares: tirá-los de suas terras e levá-los para lugares onde nem YHWH sabia onde ficava. Mas apesar deste revés inicial, graças ao crescente grau de autonomia dada à província, o Oblast Judaico Autônomo tornou-se o local mais democrático da URSS para se viver. Durante a Segunda Guerra Mundial, judeus emigrados das regiões ocupadas por Hitler ganharam a opção de se instalar na nova Terra Prometida, e foram viver na Sibéria. Também colaborou com a ocupação regional o plano de Stalin, em 1953, de deportar para esta região todos os judeus da URSS, como parte de seus planos de expurgos, mas que não foi completado pela sua morte neste mesmo ano.
Com o fim da URSS, a região esvaziou-se: os judeus emigraram para Israel ou para a Alemanha Federal reunificada. Hoje, menos de 1 por cento da população local define-se como iídiche.

Em destaque: a região do Oblast Judaico Autônomo



Em destaque: um bonito lugar para se passar as férias; ainda bem que é perto da praia



Em destaque: a base econômica da região só pode ser o extrativismo, por motivos óbvios

27 julho, 2006

Campanha Ajude Israel a matar um futuro guerrilheiro do Hisbollah



Cada dia que passa neste planeta, tenho mais orgulho da capacidade destrutiva de nossa espécie. Em cada dia, novos meios de se destruir os diferentes são inventados por cientistas, aperfeiçoados por militares e utilizados para se garantir uma paz duradoura, até a próxima guerra. Nesta nova fase da guerra, reinicia-se o ciclo, que parece não ter fim.
Atualmente, Israel está empenhado em um ataque às forças rebeldes do Hizbollah, que não aceitam o fato de que seus pais, mães, irmãos e irmãs, primos, sobrinhos, avós, amigos e conhecidos, conpatriotas e congêneres podem a qualquer momento serem mortos pelos vizinhos do sul. Ora, se alguém não aceita o fato de ser oprimido por alguém mais forte, o mais forte deve demonstrar ao mais fraco por que deve ser respeitada sua vontade. Mas grupos como o Hizbollah simplesmente não acatam tais leis naturais das relações humanas, e portanto, são alvo da demonstração de força do mais forte.
Mas o fato de Israel estar atacando a infraestrutura do Hisbollah (Líbano, nem eu sei direito) para atingir seus objetivos não está garantindo que sua autoridade seja respeitada. Por isso, estamos lançando a campanha: ajude Israel a matar um futuro guerrilheiro do Hisbollah! Para isso, estamos apelando para a comunidade internacional para, utilizando seus aparelhos de GPS, repassar as coordenadas de potenciais alvos onde possam estar escondidos terroristas, assassinos, bandidos genocidas e demais espécies de pulhas cuja finalidade na vida é ser filmado pela equipe de reportagem do Nirso estendidos no chão.

Em seguida, alguns dos possíveis alvos dos mísseis e bombardeios sionistas, com breve descrição.


A Casa Branca, em Washington, conhecida escola de terrorismo internacional: entre seus grandes feitos, estão a invasão de países como o México, Cuba, Porto Rico, Honduras, Nicarágua, El Salvador, Líbia, Granada, Vietnã, Coréia, Japão, Afeganistão, Iraque, entre outros. Também apoia ou apoiou movimentos extremistas em cinco continente, exceção feita à Antártida, além de ser um dos maiores produtores e vendedores de armas do mundo.


A sede do parlamento europeu, conhecido centro de treinamento de tropas auxiliares à escola estadunidense. Entre outros feitos, apoiou a não intervenção em diversos genocídios como o de muçulmanos no Oriente Médio (Líbano, Palestina) e na Europa (Bósnia, Kosovo), de africanos em Serra Leoa, Libéria, Congo, Ruanda, de asiáticos em Timor, Aceh, Filipinas e Diego Garcia.


A sede das Nações Unidas, em New York. Não faz muita diferença, mas já encheu o saco ver a ONU condenando as ações terroristas destas conhecidas escolas de terror. Para falar e não fazer nada já temos a Anistia Internacional, que aliás faz muito bem o seu papel.

14 julho, 2006

Série Países Oprimidos pela professora de ECS e por isso demorou tanto pra atualizar 28 - Jan Mayen




A pequena Jan Mayen é uma ilha vulcânica localizada a muitos quilômetros de distância de sua metrópole, a Noruega. Com a superfície de 373 km², Jan Mayen fica ente a Islândia e a Groenlândia, mas ninguém sabe se ali é Europa ou América. Possui importância estratégica fundamental, por ser um possível polo de prospecção de hidrocarbonetos num futuro próximo (resumindo, tem petróleo lá, mas não vão mexer nele tão cedo). A ilha já foi uma importante estação baleeira e de pesca comercial, mas hoje apenas abriga algumas pobres almas do programa Ártico norueguês, que trabalham na estação metereológica local.
Falando em baleias, Jan Mayen já foi um importante santuário de proteção à espécie até que os noruegueses, que possuem uma poderosa industria baseada na caça deste animal, chegaram por lá pelo século XVII. Depois de exterminarem milhões de baleias, a ilha voltou a ser um importante parque de preservação econômica-ecológica. Dentre as espécies protegidas encontram-se as raposas polares, aves marinhas diversas e claro os antigamente caçados cetáceos.

26 maio, 2006

Série Ilhotas Vulcânicas com alguns metros quadrados disputadas por colônias imperialistas 27 - Walpole, Matthew e Hunter Island





Legendas das fotos:

1) A ilha Matthew (sim, é isso mesmo, aquela coisa tosca ali)
2) O vulcão da ilha Matthew (poderiam ganhar dinheiro incinerando lixo, não acha)
3) A ilha Walpole

As ilhas de Walpole, Matthew e Hunter são três pequenas ilhotas vulcânicas desabitadas, localizadas entre o arquipélago de Nova Caledônia, na Polinésia Francesa, e Vanuatu, na Polinésia independente. Com a estupenda superfície de dois quilômetros quadrados, recheadas de vulcões e sacudidas periodicamente por algum terremoto, além de estarem seriamente ameaçadas de extinção pela simples subida da maré, estas incríveis superfícies territoriais são objeto de disputa sangrenta entre dois grandiosos países: Nova Caledônia, uma colônia francesa, e Vanuatu, uma ex-colônia.
Qual o objetivo de se dominar tais vulcões? Simples; assim como no caso de Kermadec, os vanuatenses e os neocaledônios pensam no futuro! Como daqui a uns duzentos milhões de anos mais ou menos, através do movimento vulcânico e das constantes erupções, além da deriva continental, estas pequenas porções de terra irão crescer, e formarão um novo continente. Claro que quem possuir a prescedência, como no caso da Antártida, vai obter melhores porções desta disputada terra nova.
Sem comentários, este lugar é tão tosco que nem sei direito por que perdi meu tempo falando sobre ele; mal se encontra informação sobre este país oprimido.

09 maio, 2006

Série Regiões entregues por povos oprimidos após guerras imperialistas 26 - Karelia





Karelia é a denominação comum de parte das terras localizadas entre o golfo da Finlândia, os lagos Ladoga e Aaninen e o mar Branco, na Rússia. Historicamente a região é o ponto de encontro de três culturas distintas: os nórdicos suecos, presentes aí desde o século XII, os suomi, ou finlandeses, cuja língua guarda semelhanças como os povos da estepe que emigraram para a Europa em levas desde a era do Bronze, e os eslavos russos, especialmente ligados a região de Lvov.
Com tantas diferenças culturais, não é de setranhar que a região de Karelia sempre tenha sido mutio disputada por estes povos. O reino sueco dominou politicamente a região até o século XIX, quando os finlandeses conseguiram sua independencia. Já a Rússia conquistou Karelia durante a guerra do Inverno, em 1939, quando os bolcheviques invadiram a Finlândia. Em 1943 os finlandeses expulsaram os soviéticos de Karelia, mas ao fim da Segunda Guerra foram derrotados e perderam definitivamente a área para os russos.
Economicamente, a parte russa da Karelia é uma das regiões mais atrasadas da Europa, contando com pouca ou nenhuma atenção do governo russo, desde o fim da guerra Fria. Com o término das hostilidades entre a URSS e a OTAN Karelia perdeu boa parte de sua importância estratégica militar, e hoje permanece abandonada pelo governo central de Moscou.
A subdivisão da federação russa se dá por meio de repúblicas autônomas, e uma destas é Karelia, mas a parte que pertencia aos finlandeses hoje é administrada pela região de Leningrad Oblast.
O governo finlandês não possui nenhuma exigência oficial de devolução das terras de Karelia ao antigo status quo, mas grupos civis dentro da Finlândia frequentemente vem advogando o direito dos mais de 450 mil exilados karelianos, espalhados pela Europa, de retornar as suas antigas terras, desapropriadas pela URSS ápós a invasão. Para os finlandeses, Karelia estaria melhor se fosse administrada pelo governo finlandês, o que é uma coisa óbvia.

02 maio, 2006

Série Nações Oprimidas em Mares Esquecidos que ninguém se lembra 25 - Ostriv Zmiyinyy/ Isla Serpilor






A ilha Zmiyinyy/Serpilor é um território oprimido localizado no mar Negro, entre a Ucrânia e a Romênia, sendo que esta última julga-se a dona do território. A Ucrânia ocupa a ilha com cerca de cem habitantes, a maioria pesquisadores e pescadores, devido à localização estratégica da mesma, no delta do rio Danúbio.
Antigamente um santuário dedicado à memória do herói Aquiles, a ilha passou sucessivamente sob domínio grego, macedônio, romano, turco, romeno e soviético. Esta última mudança de mãos ocorreu após a segunda guerra mundial, quando os romenos, aliados do Eixo, perderam boa parte dos antigos territórios da Bessarábia para a URSS. Além da perda destes territórios, a Romênia tornou-se um satélite do gigante comunista, situação que perdurou até a década de noventa.
Após o esfacelamento da URSS e o surgimento das repúblicas independentes, os romenos tentaram, sem sucesso, fazer rever os antigos tratados assinados com os soviéticos. Em 1948, os soviéticos unilateralmente moveram a fronteira entre a URSS e a Romênia para o lado oeste do delta do Danúbio. A ilha Zmiyinyy/Serpilor não fazia parte ou era mencionada nos tratados, o que faz dele território de jure da república romena. A Ucrânia, herdeira do território da Bessarábia, nega-se terminatemente a ceder qualquer parte do território aos antigos donos, alegando direito adquirido de guerra.
Na verdade, nenhum dos dois países está muito interessado na pedra em questão, mas sim na plataforma continetal, onde estimam-se existir reservas de óleo entre 1o milhões de barris e um bilhão de metros cúbicos de gás.
Contra o imperialismo econômico excuso (como se houvesse outro tipo de imperialismo...)!